Cana-de- açúcar

O Brasil poderá, em dois anos, produzir em laboratório uma espécie de cana-de-açúcar mais produtiva, resistente a pragas e doenças, tolerante à seca e a herbicidas.

A espécie também será mais eficiente ao absorver nutrientes e sobreviverá mais facilmente em solos áridos e pouco férteis, anunciaram pesquisadores que integram o projeto Genoma da Cana, desenvolvido com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com pesquisadores ligados à Fapesp, em breve será concluído o seqüenciamento genético dos 80 mil genes da planta. O projeto é precursor do Genoma Xylella, que concluiu em fevereiro deste ano o seqüenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros (a doença do amarelinho) nos canaviais paulistas.

No projeto da cana-de-açúcar, coordenado pelo pesquisador Paulo Arruda, os resultados das seqüências já indicam que a cana, além de produzir açúcar e álcool, poderá ainda ser usada na fabricação de compostos químicos de interesse para a indústria farmacêutica.

Segundo Arruda, os pequisadores identificaram seqüências homólogas às do câncer de mama. Agora trabalham para caracterizar a proteína indutora da prolactina e identificar o que ela faz para enriquecê-la em algum alimento. As descobertas geradas pelo genoma da cana só serão divulgadas após esgotadas todas as possibilidades de patenteamento.

Fator econômico – A ampliação do domínio genético sobre a cana será de grande importância econômica para o Brasil, hoje o maior produtor de açúcar, responsável por 25% da produção mundial. Do açúcar produzido no País, 60% saem do Estado de São Paulo. O negócio movimenta R$ 8 bilhões por ano e gera 600 mil empregos diretos por ano. São Paulo é ainda líder mundial em produtividade, com o menor custo de produção no mundo.

Esses fatores, segundo os pesquisadores, foram decisivos para que o projeto de seqüenciamento da cana fosse desenvolvido em São Paulo após o sucesso do Projeto Xylella. O projeto Genoma da Cana surgiu na Cooperativa dos Produtores de Açúcar e de Álcool do Estado de São Paulo (Coopersucar) e foi levado à Fapesp pelo professor Carlos Vogt, diretor-executivo do Fórum Permanente das Relações Universidade e Empresa (Uniemp).

Chico Araújo
Estadão