Marreco será substituída no Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) terá, até a próxima semana, um novo presidente.

O atual superintendente do órgão no Amazonas, Hamilton Casara, deverá ser o substituto da atual dirigente, Marília Marreco.

A intenção do Ministério do Meio Ambiente é dar mais agilidade ao Ibama, que não se vem antecipando a diversos problemas ambientais que estão ocorrendo no País.

A substituição de Marília Marreco deveria ter ocorrido no ano passado, depois que a presidente do Ibama aplicou mais de 450 mil multas ambientais, posteriormente canceladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O ministro José Sarney Filho considerou que essa decisão desgastou não só a instituição, mas também o governo.
Considerada uma excelente técnica na área ambiental, Marília, no entanto, não correspondeu politicamente. Desde a saída do biólogo Eduardo Martins, há quase dois anos, o Ibama estava praticamente parado, dando pouca publicidade às suas atividades.

Ao contrário de Marília, o superintendente do Ibama no Amazonas é considerado uma pessoa ágil. Engenheiro agrônomo por formação, Hamilton Casara trabalha há 20 anos na área ambiental, principalmente na Amazônia, onde começou trabalhando com seringueiros e populações nativas. No Ibama desde 1989, ele foi o responsável pela execução de um plano emergencial de proteção da região.

Uma das razões que levaram Sarney Filho a indicar outro presidente para o Ibama foi o fato de a atual dirigente ser mais de gabinete do que de campo, como ele próprio se define e vem fazendo desde que assumiu a pasta.

Entretanto, as qualidades técnicas de Marília como bióloga são sempre ressaltadas tanto dentro do Ibama quanto no ministério. Ela não foi encontrada para falar sobre sua saída.

Além disso, em outros setores do ministério, a presidente do Ibama era tachada como uma pessoa que não aceitava críticas ao seu trabalho, não se antecipava aos problemas e tinha pouco trânsito político, ao contrário de Casara, que teve apoio de praticamente todos os partidos na Amazônia, inclusive da esquerda.

O nome do provável dirigente do Ibama está sendo analisado agora na Casa Civil da Presidência da República.
Casara se destacou há quase quatro anos, com o desenvolvimento de diversas campanhas contra o desmatamento da Amazônia. Foi ele o primeiro a denunciar a entrada maciça de madeireiras asiáticas na região, além de comandar pessoalmente todas as operações realizadas pelo Ibama.

Além de Manaus, Casara trabalhou em Minas, Espírito Santo, Rio, Pantanal e outras áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com a mudança na direção do Ibama, Sarney Filho poderá iniciar uma reformulação estrutural em vários setores de seu ministério, mas assessores garantem que a mudança substancial será somente na substituição de Marília Marreco. Mesmo assim, no fim do ano, todos os secretários colocaram seus cargos à disposição. (AE)