Descobertos planetas que podem ter vida

O sistema estelar CM Draconis possui dois planetas de tamanho próximo ao da Terra dentro da “zona habitável”, longe o suficiente da estrela para possuir água em estado líquido.

Londres – Astrônomos encontraram o primeiro firme indício da existência de outro sistema solar com planetas capazes de manter a vida – e de tamanho semelhante ao da Terra. A descoberta foi feita por astrônomos do Search for Extra-Terrestrial Intelligence (Busca Por Inteligência Extraterrestre, ou Seti, na sigla em inglês) Institute nos EUA, que trabalha com a agência espacial americana (Nasa) e com o observatório britânico Jodrell Bank.

Observações indicam que o sistema, CM Draconis, tem dois planetas dentro da chamada zona habitável, girando em torno de suas estrelas a uma distância suficiente para que neles exista água sob a forma de líquido.

Isto significa que eles podem ter gerado vida. Instrumentos estavam sendo usados perto de seus limites quando ocorreram as observações, motivo pelo qual as descobertas são tratadas com cautela. Detalhes completos começarão a ser fornecidos na reunião anual da Sociedade Americana de Astronomia em San Diego (Califórnia) esta semana. Se houver vida num dos dois planetas do CM Draconis, ela deve existir em condições bem diferentes das encontradas na Terra.

No centro do sistema ficam dois pequenos astros de luz mortiça e avermelhada que giram um em torno do outro, enquanto os planetas gravitam em torno de ambos. Um sistema “binário” como esse passa por variações constantes no comprimento do dia e da noite e tem complexos padrões sazonais e climáticos.

Laurence Doyle, pesquisador do Seti que chefiou o estudo, diz que não há certeza quanto ao tamanho exato dos “planetas candidatos”, mas que seu diâmetro poderia ser de 10.500 milhas (cerca de 15 mil quilômetros). Comparando: o diâmetro da Terra é de 8 mil milhas e o de Júpiter, de 90 mil milhas.

Doyle encontrou um terceiro planeta, mais ou menos do tamanho de Júpiter, gravitando para além dos outros dois. Isto também é importante, pois tais planetas podem “sugar” os asteróides e meteoritos que, de outra forma, bombardeariam os corpos menores e impediriam o surgimento de vida. Júpiter pode ter desempenhado papel semelhante em nosso sistema solar.

A técnica de Doyle envolveu a medição do decréscimo da luz procedente dos astros do CM Draconis quando seus planetas passavam entre eles e a Terra. A luz desses astros demora cerca de 57 anos para chegar até nós. Técnicas semelhantes ajudaram a detectar mais de 50 planetas encontrados am redor de outros astros. Mas se acredita que quase todos sejam “gigantes gasosos”.

The Sunday Time