Animal Transgênico: mistura de macaco com água viva

O animal é um macaco reso, que foi transformado com o gene da proteína GFP (proteína verde fluorescente, em inglês), presente naturalmente em águas-vivas, e que é detectada sob radiação ultravioleta, o que pode deixar o animal verde.

ANDi (o nome vem da forma invertida de “DNA inserido”) tem três meses de idade e leva uma partícula adicional de ácido desoxiribonucleico em um gene, introduzido como um marcador, que pode ser visto em microscópio graças a sua cor verde brilhante, disseram os pesquisadores da Universidade de Ciências Médicas do Oregon. A criação de ANDi está descrita na edição de amanhã da revista “Science”.

O macaquinho ainda não fica verde de fato. Os cientistas não sabem se a GFP está sendo produzida nas células do animal, apesar de o gene estar presente em todos os tecidos examinados, da face a células na urina.

Os cientistas dizem que animais transgênicos podem atrasar a manifestação dos transgenes (gene introduzido que pertence a outra espécie) em até um ano após o nascimento.

Curiosamente, no entanto, em dois macaquinhos gêmeos transgênicos que foram abortados, tanto o pêlo como as unhas do pé ficaram verdes, quando colocados sob luz ultravioleta.

O objetivo do grupo é diminuir a distância que existe entre os estudos feitos hoje em dia com camundongos transgênicos _produzidos pela inserção ou pelo silenciamento de algum gene_ e a extrapolação dos resultados obtidos nesses animais para os seres humanos.

“A técnica para injetar o gene foi utilizada durante mais de um quarto de século em ratos, mas comparar um roedor com o ser humano tem seus limites”, indicou o doutor Gerald Schatten, que dirige a investigação no Centro Regional dos Primatas do Oregon.

Hoje em dia, o animal-modelo da biologia molecular é o camundongo. Existem camundongos diabéticos, com câncer, com sintomas de mal de Parkinson ou síndrome de Down.

E a toda hora, existe uma nova pesquisa que acena com a possibilidade de cura ou tratamento para cada uma dessas doenças. Em camundongos.

Devido às semelhanças dos macacos com os humanos em termos de DNA, essas experiências podem dar aos cientistas uma imagem mais precisa de como se desenvolvem as doenças humanas.

A equipe espera, com os macacos transgênicos, ter modelos mais próximos do homem, especialmente em doenças que são difíceis de estudar em camundongos, como doenças neurodegenerativas ou do sistema imunológico.

“Precisamos agora sentar com nossos colegas da área biomédica e decidir quais as doenças-alvos para as quais poderemos produzir macacos transgênicos. O custo de produção é relativamente alto em relação ao do camundongo. Para muitas doenças, o camundongo ainda será a melhor opção”, afirma o pesquisador Anthony Chan

Folha On Line