Bóias no Atlântico podem explicar fenômenos climáticos

Bóias ancoradas no Oceano Atlântico poderão explicar e prever fenômenos oceânicos e seus efeitos sobre o continente, entre eles a seca no Nordeste brasileiro. São 14 bóias dispostas em uma rede, entre o Brasil e a África, mantidas em funcionamento pelo Projeto Pirata (Pilot Research Moored Array in the Tropical Atlantic), uma iniciativa da qual participam o Brasil, a França e os Estados Unidos.

Mergulhadas a cinco mil metros de profundidade, as bóias “Atlas”, de última geração, medem a direção e a velocidade do vento, a temperatura do ar, a umidade e a temperatura do oceano, desde a superfície até a profundidade de 500 metros.

“Elas permitem que se entenda melhor o funcionamento do Atlântico em várias escalas de tempo e seus efeitos no continente, como a seca do Nordeste”, explica a professora Ilana Wainer, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), participante do projeto.

Segundo ela, a temperatura do mar e os fenômenos oceânicos têm grande influência sobre os ciclos de chuva e estiagem no continente.

Desde 1997, quando foi lançada a primeira bóia, os pesquisadores recebem informações relevantes para o estudo da variação climática da região, influenciada pelo Atlântico tropical.

O programa, que acaba de sair da fase experimental, já disponibiliza os dados coletados pelas bóias na Internet. “Agora que as bóias estão no lugar, é possível divulgar livremente uma série de dados que, à medida que forem sendo trabalhados, comprovarão a eficiência e utilidade da rede”, garante a profesora Ilana.

Pesquisadores e alunos do Instituto Oceanográfico estão envolvidos no estudo desses dados, ao lado de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A rede de bóias do Projeto Pirata é a continuidade de outro sistema que opera há mais tempo no Oceano pacífico, com cerca de 70 bóias.

Segundo a pesquisadora, essa rede original monitora o fenômeno El Niño e transmite dados simultâneos, auxiliando serviços como a previsão do tempo e, conseqüentemente, as condições de pesca. Ela explica que a rede foi estendida ao Atlântico devido à importância científica desse tipo de estudo na região.

Durante a fase atual de consolidação do projeto, pretende-se ampliar a rede de bóias, aumentando a abrangência da coleta de dados. Um encontro para discutir a extensão oeste do Pirata ocorreu em Fortaleza, de 11 a 14 de setembro.

Segundo a professora, estuda-se a possibilidade de instalar uma rede abaixo do Equador, ao longo da costa da América do Sul. Cerca de cinco bóias poderão ser instaladas nessa área, nos próximos anos, o que certamente ampliaria os benefícios do Brasil. Isso tornaria possível ainda a inclusão de outros países, como a Argentina, no programa. (Agência Brasil com AUN/USP)

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