Amazonas surpreende comissão da Agenda 21

Os membros da Comissão de Política de Desenvolvimento Sustentável (CPDS) ficaram surpresos com os resultados apresentados nesta quinta-feira durante o debate da Agenda 21 no Amazonas. Eles esperavam que, pela vocação de origem, o Estado daria uma maior contribuição nos temas de Gestão de Recursos Naturais e a Ciência e Tecnologia. Apenas 7% das propostas apresentadas priorizaram a C&T e 21% os Recursos Naturais, enquanto a Agricultura Sustentável recebeu 34% das propostas.

Para a assessora da Agenda 21, Vanessa Brito, isso mostra que no Amazonas, assim como em todo o Brasil, o setor agrícola é o que está mais organizado além de refletir a preocupação dos brasileiros com o avanço da fronteira agrícola.

Representantes das 130 entidades governamentais, não governamentais e empresas privadas, do Amazonas, que participaram com propostas para a Agenda 21 Brasileira, debateram e definiram estratégias para promover o desenvolvimento sustentável do País. As entidades basearam-se no documento “Agenda 21 Brasileira – Base para Discussão”, elaborado pela CPDS, para sugerir novas ações, através da incorporação, exclusão ou complementação dos itens constantes no documento original.

Os trabalhos no Amazonas tiveram início em agosto do ano passado e mais de 200 mil pessoas no Estado, segundo dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), participaram do processo de consulta e elaboração de propostas nos últimos sete meses. “A nossa contribuição para a Agenda 21 Brasileira retrata a expectativa do Amazonas para o futuro do País”, disse o presidente do órgão, Estevão Monteiro de Paula. Coube ao Ipaam coordenar o processo de discussão da Agenda 21 no Estado. Ele disse estar satisfeito com o número de propostas apresentadas, que ficou acima da média nacional, que é de 150.

Os debates estaduais prosseguem até abril e a grande preocupação da CPDS é com o Estado de São Paulo, onde o processo de construção da Agenda 21 não está tendo, segundo Vanessa, a projeção merecida. “Isto sem considerar a grande mídia nacional, que não tem demonstrado nenhum interesse pelo assunto. Nossa preocupação é que o debate que será realizado no mês de março, em São Paulo, seja esvaziado pela falta de divulgação”, disse.

Depois de definidas as contribuições estaduais para a Agenda, serão realizadas cinco reuniões técnicas para discutir a Agenda em nível regional. As propostas do Amazonas, o terceiro Estado amazônico a realizar o debate, depois de Roraima e Pará, deverão ser encaminhadas dentro de um mês para o Ministério do Meio Ambiente.

A Agenda 21 Brasileira deverá ser lançada no mês de setembro, durante as comemorações da Semana da Árvore, conforme expectativa do governo federal, que solicitou da CPDS e da Agenda 21, agilidade no processo.(Gazeta Mercantil)