Encontradas duas novas espécies de pererecas

Os anfíbios anuros, nome que se dá ao grupo formado por sapos, rãs e pererecas, são tão poucos estudados que um levantamento iniciado em 1998 revelou duas espécies novas, num total de 65 identificadas em Pernambuco.

Elas estão sendo descritas pela pesquisadora Ana Carolina Carnaval, que faz doutorado em biologia evolutiva na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Uma das pererecas foi coletada na Usina Cruangi, em Timbaúba, Zona da Mata Norte, e a outra na Usina Frei Caneca, em Jaqueira, Zona da Mata Sul.

Ambas pertencem ao gênero Hyla e apresentam tamanho mediano (entre 3 e 7 centímetros). “Ainda não tenho nomes, mas provavelmente vou escolher um epíteto específico relacionado à localidade de coleta ou a alguma particularidade morfológica”, adianta Ana Carolina.

As duas pererecas vivem em ambiente de floresta, embora uma se reproduza em ambientes aquáticos lênticos (isto é, em água parada como poças permanentes), enquanto a outra foi coletada junto a um riacho, provavelmente reproduzindo-se em água corrente (ambiente lótico).

No Brasil, existem 600 espécies de anfíbios, das quais metade são endêmicas, não sendo encontrada em nenhum outro lugar do planeta. Para o mundo, a estimativa é de 4.900.

Ana Carolina afirma que os anfíbios são animais extremamente vulneráveis a mudanças ambientais, especialmente porque muitas espécies passam parte de sua vida na água (sob forma de girinos) e parte na terra (após sofrerem metamorfose e transformarem-se em indivíduos jovens).

“Enquanto girinos, anfíbios podem sofrer com a existência de poluentes na água ou mesmo com alterações na salinidade. Por sua pele ser muito permeável, anfíbios jovens e adultos podem sofrer com a absorção cutânea de agentes químicos, especialmente pesticidas”, revela. (Jornal do Comércio)