Conservação de tanques é precária

A suspeita de que a contaminação por óleo do Rio Verde, em Campo Largo, tenha sido causada por um vazamento em um posto de gasolina traz à tona a discussão sobre o estado de conservação dos reservatórios subterrâneos.

A situação precária em que chegam os tanques em uma metalúrgica de São José dos Pinhais, que fabrica e reforma os equipamentos, referenda a denúncia do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, de que 30% dos postos da capital apresentam riscos ambientais e de segurança.

O proprietário da metalúrgica, Júlio Goudard, explica que a maioria dos postos de gasolina está substituindo os tanques antigos, pois segundo ele, a nova legislação obriga que os reservatórios subterrâneos sejam revestidos com fibra de vidro, para melhorar o isolamento e aumentar a segurança. “A maioria dos tanques que chega aqui são cortados e viram sucata, pois não têm condições de ser recuperados”, afirma o dono da metalúrgica.

Ele calcula que atualmente há no pátio da fábrica quase 200 tanques que foram retirados dos postos. Destes, apenas 10% puderam ser reformados. O restante chega à empresa em péssimas condições de conservação.

Grande parte está enferrujada, amassada e, até mesmo, furada. “O estado dos tanques retirados demonstra os riscos encontrados nos postos”, afirma o empresário Colatino de Castro. O presidente do Sindicombustíveis diz que dos 412 postos da capital, 6% poderiam ser classificados como “em situação precária”, e que metade dos 2,7 mil estabelecimentos do interior estariam com problemas de segurança.

Campo Largo – A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente abriu inquérito para determinar os responsáveis pelo vazamento de óleo em Campo Largo. O laudo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) confirmou que a contaminação do Rio Verde foi feita por óleo e graxa.

De acordo com o diretor de recusos ambientais do IAP, Mário Sérgio Rasera, todas as evidências apontam como responsável pela contaminação do rio o posto Saguaru, localizado na BR-277.

O depoimento do proprietário do posto foi adiado para hoje, pois até sexta-feira, ele não havia conseguido um advogado. O superintendente da delegacia, Celso Gomes, informa que o caso tem um agravante pois houve a interrupação do abastecimento de água, e que sanções estão estabelecidas na legislação específica sobre recursos hídricos. Desde o dia 27 de janeiro, 40 mil moradores de Campo Largo ficaram sem água por causa da contaminação do rio. (Gazeta do Povo)