Baía de GB deixará de receber um Maracanã de esgoto por dia

A poluída Baía de Guanabara deixará de receber uma quantidade de esgoto equivalente a um estádio do Maracanã cheio por dia, dentro de dois meses.

Quem garante é o secretário de Estado do Meio Ambiente, André Corrêa, que nesta segunda-feira participou da assinatura de convênios com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, na sede do Jardim Botânico.

Segundo Corrêa, com a inauguração da estação de tratamento da Alegria, no Caju, zona norte da cidade, prevista para abril, deixarão de ser despejados na baía cerca de 5 mil litros de esgoto por segundo – capacidade de processamento da unidade.

A obra custou R$ 70 milhões e deve beneficiar pelo menos 2,5 milhões de cariocas que vivem no entorno da baía, de acordo com o secretário de Estado de Saneamento, Luiz Henrique Lima.

Outros dois mil mitros de esgoto que eram jogados por segundo na baía já estão sendo tratados nas estações da Pavuna e de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, inauguradas em dezembro.

“Com a inauguração da estação da Alegria serão sete mil litros por segundo, o que equivale a um Maracanã de esgoto a menos por dia na baía”, disse Corrêa.

O secretário revelou ainda dados preliminares de um relatório ambiental sobre a Baía de Guanabara que será divulgado na semana que vem.

Atualmente, são despejadas por dia 1,3 tonelada de óleo e 16 quilos de metais pesados nas águas da baía. “É uma boa notícia, porque em 1994 eram despejadas sete toneladas de óleo e 235 quilos de metais pesados por dia”, justificou o secretário.

A redução, segundo Corrêa, seria resultado de ações de controle das indústrias localizadas no entorno da baía.

De acordo com o presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, Axel Grael, das 6 mil indústrias que existem na região, 55 respondem por 70% da poluição, entre elas a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), da Petrobrás, responsável pelo despejo de óleo.

Segundo Grael, a fiscalização permitiu, por exemplo, que a Praia de Icaraí, no Grande Rio, voltasse este mês a apresentar condições de balneabilidade, após anos de interdição.

Corrêa e Sarney Filho firmaram na manhã desta segunda-feira o termo de cessão de uma área no prédio do Ibama, na Praça 15, para o governo estadual instalar o Centro de Referência do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) e o Centro do Programa da Educação Ambiental do PDBG.

Também acertaram uma parceria para a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul. (Estadão)