Amazonas pode estar derrubando um mito

O Amazonas pode estar derrubando um mito que vigora até hoje sobre os solos da Amazônia, considerados ácidos, impróprios para a agricultura e improdutivos.

Utilizando calcário para corrigir a acidez do solo e fosfato importado de Israel, como nutriente para a terra, o Amazonas obteve no cultivo de arroz a mais alta produtividade do País – a de 3,9 por hectare, bem superior à média nacional de 2,2 quilos por hectare.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira por técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrícola do Amazonas (Idam), com uma ressalva: o cultivo do arroz não oferece nenhum risco para o meio ambiente. Segundo o Idam, estão sendo utilizados apenas campos naturais existentes no sul do Amazonas, no limite com a Região Centro-Oeste e áreas degradadas utilizadas antes pelas atividades pecuária e madeireira.

Quatro anos depois da agricultura intensiva e mecanizada ter iniciado o cultivo do arroz nestas duas áreas, os números começam a mudar sobre a histórica dependência do mercado consumidor de Manaus, a maior capital do Norte do País, com população de 1,5 milhão de pessoas. O arroz produzido no sul do Amazonas e em Itacoatiara já abastece 10% do mercado de Manaus.

Até três anos atrás, Manaus importava do Centro-Oeste e Sudeste a totalidade das 120 toneladas de arroz que consome por ano. Pelos cálculos dos técnicos do Idam, em cinco a oito anos o cultivo do arroz poderá atingir a auto-suficiência de produção.

O mais importante para os produtores amazonenses é que o cultivo com técnicas agrícolas mais compatíveis com o solo amazônico está permitindo uma geração de renda extraordinária para cada um deles. “Lamento não ter descoberto antes que o solo amazônico é tão bom para a produção”, diz o agora produtor João do Joca, considerado um dos maiores pecuaristas no Amazonas, nas décadas de oitenta e noventa.

Há também produtores chegando de outras regiões do País para se estabelecer nas áreas permitidas para a atividade agrícola no Amazonas. Alcides Weller, que trocou a bem organizada agricultura do Paraná pelo desafio amazônico, não pensa mais em deixar Itacoatiara, às margens do rio Amazonas. ’Obter uma taxa de produtividade tão alta, é como ter encontrado o paraíso no meio da floresta amazônica’, diz Weiller.
(Jornal do Brasil)