Choque cósmico causou a maior extinção da história da Terra

A extinção mais dramática que já afetou a Terra – e pôs fim a 90% das formas de vida existentes há 250 milhões de anos – foi provocada por um asteróide ou um cometa que colidiu com o planeta, revelou um estudo do Centro de Ciências Espaciais e da Terra da Universidade de Washington, nos EUA.

Analisando sedimentos encontrados em Japão, China e Hungria, os cientistas constataram a presença de formas peculiares dos gases hélio e argônio que, segundo eles, só poderiam proceder do espaço.

Os cientistas, coordenados pela professora Luann Becker, calculam que o astro tinha entre seis e 13 quilômetros de diâmetro e seu impacto na Terra liberou “energia um milhão de vezes mais intensa do que a liberada pelo pior terremoto registrado no último século”.

Segundo a cientista, cujo estudo foi publicado na edição de hoje da revista “Science”, a explosão, além do impacto, teria acelerado a atividade vulcânica. Isso deixou enormes áreas do planeta completamente cobertas de lava, levando a Terra a séculos de escuridão.

A mais famosa extinção que se conhecia até então é a que provavelmente deu fim aos dinossauros, há 65 milhões de anos – também devido à queda de um asteróide, desta vez na Península de Yucatán, no México.

Ali, uma cratera de mais de 108 quilômetros quadrados foi encontrada. Trata-se de um indício do local da queda do asteróide que, segundo as novas estimativas, era quase do mesmo tamanho do que praticamente destruiu a vida na Terra há 250 milhões de anos.

As teorias sobre a colisão há 250 milhões de anos foram elaboradas a partir da análise de moléculas conhecidas como buckyballs. São estruturas esféricas que podem aprisionar gases nobres em seu interior sob condições extremas.

– Essas estruturas se formam em corpos celestes ricos em carbono. O que mais empolga na pesquisa é poder usar as buckyballs como rastreadoras de materiais vindos do espaço – explica Becker, que apresentou os detalhes do estudo ontem à Nasa, agência espacial americana.

Desde que se formou, há cerca de 4,6 bilhões de anos, a Terra sofreu periódicas extinções em massa. Há 250 milhões de anos (quando a parte emersa da Terra formava apenas um continente, a Pangéia), um acontecimento imprevisto como a queda de um asteróide poderia ter extinguido várias formas de vida primitivas (como répteis, insetos e moluscos).

E, mais tarde, favorecidos o aparecimento e a adaptação de novas espécies como plantas e dinossauros, que ocuparam o planeta durante os períodos triássico, jurássico e cretáceo (entre 250 milhões e 66 milhões de anos atrás).

Os trilobitas, criaturas marinhas semelhantes a uma barata que reinavam no planeta entre mais de 15 mil espécies distintas, desapareceram completamente. Estimamos que 90% dos animais marinhos e 70% dos vertebrados terrestres possam ter morrido devido à colisão do asteróide com a Terra. É o princípio básico da sobrevivência da espécie: se um organismo não se ajusta, desaparece – diz Becker.
(O Globo)