Espécie da Amazônia é usada na prevenção da febre amarela

O surto de febre amarela em Minas Gerais tem aumentado a popularidade da andiroba, uma planta nativa da Amazônia e utilizada há muito tempo pelas populações tradicionais como repelente, entre muitos outros usos.

Somente a NatuScience, do Rio de Janeiro, teve triplicados os pedidos da vela de andiroba, fabricada através de licenciamento da Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz.

O produto, desenvolvido pelo Instituto Far-Manguinhos (da Fiocruz) a partir do bagaço da andiroba, possui um laudo do Laboratório de Biologia da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro atestando uma eficácia de 100% na repelência do mosquito Aedes aegypti, vetor da febre amarela e da dengue.

Segundo Regina Villela de Castro, diretora da NatuScience, “esse resultado nunca foi encontrado em qualquer outro produto existente no mercado destinado ao combate do mosquito”.

Villela explica que esse índice de eficiência é conseguido após 48 horas de uso e com uma vela para cada 10 m2, em média. Totalmente atóxicas, as velas de andiroba não produzem fumaça nem cheiro.

Seu efeito é inibir o apetite das fêmeas, que necessitam de sangue no processo de fecundação. “Os efeitos da andiroba valem para todos os mosquitos hematófagos, responsáveis também pela transmissão da filariose (elefantíase) e malária”.

A diretora da empresa diz que a maior parte dos pedidos são de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, além de agências de turismo que, com o fim da piracema, começam a levar caravanas de pescadores para o interior do país. “Temos tido bastante procura também em São Paulo por conta da malária”, diz.

Múltiplos usos – O óleo de andiroba é utilizado há mais de um século pelas mulheres na Amazônia como cicatrizante, principalmente em ferimentos causados por picadas de cobra, aranha, escorpião e insetos.

Enquanto se dedicam à tarefa de depurar o óleo, elas fazem bolas do bagaço e as queimam para afugentar os mosquitos. As pesquisas que resultaram na vela repelente foram feitas a partir desta observação.

O óleo extraído da andiroba é utilizado também em cosméticos, como na linha Ekos, lançada no ano passado pela Natura, e como substituto para o óleo diesel na produção de energia.

Numa experiência pioneira, a andiroba está sendo usada como fonte de geração de energia elétrica para os moradores da Reserva Extrativista do Médio Juruá, em Carauri (AM), desde novembro passado.

No Acre, uma parceria entre o governo do Estado e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) resultou no Projeto Ilhas de Alta Produtividade, que promove o enriquecimento de seringais com o plantio de espécies de bom retorno comercial, como a andiroba.

Segundo Regina Villela, os fornecedores da NatuSciense são exatamente os pequenos produtores extrativistas da Amazônia. Seguindo a filosofia ecologicamente correta, a empresa utiliza 100% da matéria-prima, industrializando o óleo em várias versões, o bagaço nas velas e os resíduos industrias na fabricação da tocha sólida, utilizada como repelente para áreas externas.
(Estadão)