Ibama proíbe pesca na Baía de Guaraqueçaba

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) expediu ontem uma portaria que proíbe a pesca na Baía de Guaraqueçaba e na sua área de influência por 15 dias, a partir de hoje (09/03/01). A proibição da pesca ocorre porque na região está florescendo uma espécie de microalga tóxica, que estaria causando a mortandade de peixes.

Segundo o representante-adjunto do Ibama no Paraná, Nilton Melquíades, a decisão foi tomada com base no laudo técnico sobre a toxidade das algas emitido pelo Departamento de Botânica e pelo Centro de Estudos do Mar, ambos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ontem, técnicos do Ibama, da UFPR e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) realizaram um sobrevôo sobre a baía para levantar a extensão atingida pela alga e assim elaborar a portaria (populações da espécie, vistas do alto, assemelham-se a manchas na água). A Baía de Guaraqueçaba é um trecho da Baía de Paranaguá.

O Ibama e IAP também devem fazer, em conjunto, a coleta periódica de amostras da água da baía, para posterior análise, informou ontem o secretário estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto. Segundo ele, as análises possivelmente serão feitas pelo própria UFPR, que descobriu que as algas são tóxicas.

Segundo o professor Luciano Fernandes, do Departamento de Botânica da UFPR, um dos pesquisadores que elaborou o laudo sobre as algas, a espécie encontrada na baía – do grupo das rafidófitas e do gênero Heterosigma – é comprovadamente tóxica para peixes e para alguns moluscos.

No entanto, diz ele, até hoje não há estudos que indiquem se a alga pode ser tóxica para o ser humano, no caso da ingestão de frutos do mar que estiveram em contato com a espécie. Segundo ele, isso não significa, porém, que problemas de saúde nas pessoas não possam vir a ocorrer por causa da alga. Por isso, afirma Fernandes, a orientação é que as pessoas não consumam peixes e moluscos das áreas atingidas. Os hospitais da região também devem estar atentos para qualquer sinal de intoxicação.

Segundo o professor da UFPR, normalmente as toxinas associadas às algas causam, nos humanos, problemas gastrointestinais e do sistema neurológico. Sintomas de alterações seriam diarréias, vômitos, dores de cabeça, ardência na boca, formigamento, tremor e dores pelo corpo e taquicardia.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que a Vigilância Sanitária até ontem não havia sido notificada sobre a questão das algas. O secretário estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, disse, porém, que ainda não havia sido registrado nenhum caso pessoa com problemas de saúde que pudessem estar associados ao consumo de peixes intoxicados pelas algas. O presidente da Colônia de Pescadores de Guaraqueçaba, José Filipe da Silva Neto, confirmou a afirmação do secretário. Mas ele lembrou que, mesmo advertidos para não consumirem peixes morimbundos, muitos pescadores estão comendo-os.

(Gazeta do Povo)