Especialistas apontam ecoturismo como responsável pela febre amarela

Apontado como o vilão moderno do desequilíbrio ambiental, o ecoturismo é considerado por membros da comunidade científica como um dos responsáveis pelo reaparecimento de doenças erradicadas nos grandes centros urbanos. No Rio, o último caso registrado de febre amarela foi provocado por esse tipo de atividade.

No ano passado, a estudante de Desenho Industrial Sofia Cavaliere, então com 24 anos, contraiu a doença durante suas férias no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Ela voltou ao Rio com o vírus da febre amarela. O anúncio do caso na cidade fez com que dezenas de pessoas corressem aos postos de saúde.

Para o professor do Departamento de Doenças Infecciosas da UFF, Sylvio Torres, o ecoturismo é uma das formas de propagação. “As facilidades de deslocamento e para entrar em novos ambientes colocaram o homem novamente em contato com a febre amarela, a malária e outros tipos de vírus”, explica.

“O ecoturismo é um dos responsáveis pelo aparecimento dessas doenças. Os desinformados dirigem-se aos locais de risco e se contaminam”, afirma o entomologista Anthony Erico Guimarães, pesquisador do Departamento de Entomologia da Fundação Oswaldo Cruz.

Os promotores de excursões turísticas por áreas rurais não aceitam o estigma de responsáveis pelo retorno dessas doenças.

“O número de pessoas que entra na mata para fazer ecoturismo é inexpressivo, se comparado às agressões ao meio ambiente provocadas por desmatamento para a construção de fazendas, represas ou grandes propriedades rurais”, protesta Cássio Garcez, coordenador do Projeto Ecoando e guia especializado em educação ambiental pela Embratur.

Cássio lembra que o ecoturismo responsável não representa problema. “Tenho 38 anos e sou guia há 15. Sempre que há suspeita de algum caso ou existe um histórico endêmico no local escolhido, procuramos mudar o roteiro e evitar essa região.

Há pouco tempo, mudamos uma caminhada prevista para a Serra da Tiririca, em Niterói, porque havia um surto de dengue na área”, diz ele.
(O Dia)