Para cientistas, resultado de clonagem humana é imprevisível

Cientistas de prestígio reagiram com repulsa ao anúncio de que Panayiotis Zavos e Severino Antinori planejam clonar seres humanos em curto prazo.

Um dos mais enfáticos é justamente o pesquisador escocês Ian Wilmut, chefe das pesquisas que levaram, em 1997, ao primeiro mamífero clonado, a ovelha Dolly. Fazer o mesmo com seres humanos, para ele, é “criminosamente irresponsável”.

Na semana passada, Wilmut relatou ao jornal norte-americano “The Washington Post” um outro caso de seu laboratório, o de um cordeiro clonado que, desde a fase de embrião, parecia perfeitamente saudável.

Mas, quando nasceu, tinha gravíssimos problemas de frequência respiratória. Era malformação das artérias pulmonares. Teve de ser sacrificado.

“E se fosse uma criança? Quem seria responsável? Que tipo de vida ela teria?”, perguntou Wilmut.

Pelo menos em tese, a clonagem de um ser humano é tecnicamente simples. Pega-se um óvulo doador e dele se extrai o núcleo (que contém o DNA, armazenador de toda a informação genética).

Esse “espaço vazio” é então preenchido quando se funde a célula “oca” com outra -extraída, por exemplo, de um fragmento da pele da pessoa que se quer clonar. Passando uma corrente elétrica, esse material fundido começa a se multiplicar, dando início à formação de um embrião.

Por isso, o clone tem exatamente o mesmo material genético de um único ser. E não uma mistura do DNA do pai e da mãe, como todos os mamíferos concebidos de modo “convencional”.

Fator de risco As consequências do procedimento são imprevisíveis.

“É na praia que se vai reconhecer um ser humano clonado”, disse ao “The Washington Post” o cientista Michael West, presidente de uma empresa de alta tecnologia especializada em clones de animais. Ele se refere aos umbigos enormes que todos os animais clonados apresentam, por razões totalmente desconhecidas.

Jon Hill, veterinário da Universidade Cornell, lembrou que vacas clonadas costumam ter a cabeça deformada, como a de um cachorro buldogue.

Numa universidade texana, um bezerro clonado apresentou diabetes juvenil do tipo 1, nunca antes diagnosticada em gado.

Um dos pioneiros da pesquisa em clonagem, Rudolf Jaenisch, expressa indignação.

“Esses animais podem ser sacrificados, mas o que fazer com seres humanos anormais? A simples tentativa de clonar pessoas já é uma ofensa, um crime.”

(Folha de São Paulo)

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