Caso afunde, parte do óleo da P-36 pode ir para alto-mar

Pelo menos cinquenta por cento dos 1.500 metros cúbicos de óleo armazenado na maior plataforma de petróleo do mundo, a P-36, localizada a 125 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, na Bacia de Campos, podem ir para o alto mar caso a estrutura afunde, disse na quinta-feira o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul.

A plataforma sofreu três grandes explosões em um de seus quatro pilares de sustentação, na madrugada de quinta-feira. O acidente deixou um morto, um ferido em estado grave com 98 por cento do corpo queimado e nove desaparecidos.

Segundo informou Reichstul em entrevista coletiva concedida à imprensa, a P-36 tem armazenados 1.200 metros cúbicos de óleo diesel combustível e 300 metros cúbicos de petróleo no interior de seus dutos. A plataforma está inclinada a cerca de 30 graus e caso afunde, o óleo pode vazar, disse o presidente da empresa.

A Petrobras colocou cinco barcos ao redor da plataforma. Eles têm capacidade para recolher 50 por cento do óleo, o restante deve ser levado para o alto mar.

“O restante deve ser levado pelas correntes marítimas e será dissipado em alto-mar”, disse Reichstul.

O presidente da Petrobras disse que não há risco do óleo atingir as praias do município de Macaé, região próxima do local da plataforma.

“Damos a garantia de que as praias de Macaé não serão atingidas. Fizemos um estudo das correntes marítimas que apontaram esse resultado”, disse o presidente da estatal.

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, ordenou o envio de uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para verificar algum provável vazamento na plataforma.

A mídia informou que um laudo sobre as causas do acidente deve ser emitido em 30 dias. O presidente da empresa disse que uma das causas pode ter sido o acumulo de gás na estrutura do pilar de sustentação. Trabalhavam no momento das explosões 175 pessoas.

O sindicato dos petroleiros da região de Macaé, no norte fluminense, disse que a maioria dos desaparecidos no acidente são de Aracaju e de Salvador e que os funcionários da P-36 trabalham 15 dias na plataforma a cada 15 dias de folga em terra.

O presidente da Petrobras disse que “os nove desaparecidos dificilmente podem estar vivos”. A empresa suspendeu as buscas que fazia na noite de quinta-feira, mas vai retomá-las nas primeiras horas do dia de sexta-feira.

A plataforma pesa 31.400 toneladas, tem 112,78 metros de comprimento, 92,58 de largura (um pouco maior que um campo de futebol) e 119,5 metros de altura (equivalente a um edifício de 40 andares). Ela explorava petróleo a 1.360 metros abaixo da lâmina d´água.

A P-36 foi construída em 1994 na Itália e adquirida pela Braspetro Oil Services em 1997. Neste mesmo ano ela passou por uma remodelação no estaleiro canadense Davie Industries, localizado em Quebéc. Depois de remodelada, ela foi transportada para a Bacia de Campos, onde passou a produzir desde 1999, 84 mil barris por dia. A capacidade total da estrutura é de 180 mil barris diários.
(Bol Notícias)