Mudança de território aumentou a incidência de doenças entre os Yanomami

Segundo a revista inglesa, Telegraph Magazine, o antropólogo Napoleon Chagnon o filme de 1987 de um canal alemão de televisão com qual ele cooperou, mostrava um missionário que levava um turista para ver os selvagens em troca de dinheiro. Os missionários ficaram profundamente ofendidos e por esta razão, Chagnon foi impedido de entrar no território que eles controlavam.

Quando Chagnon retornou, desta vez patrocinado pela amante do presidente venezuelano e por um aventureiro controverso, um dentista e pára-quedista chamado Charles Brewer Carias – ele discutiu mais uma vez com os missionários, estremecendo seu relacionamento com a igreja Católica.

Os missionários encorajaram os Yanomami a se mudarem dos territórios das áreas mais altas para aqueles situados nas proximidades do rio, onde estes estariam mais acessíveis aos medicamentos do Ocidente e também às suas influências. Mas Chagnon acredita que isso fez com que os Yanomami ficassem mais vulneráveis às doenças.

Napoleon Chagnon diz que quando ele pôde entrar novamente para o seu campo de estudos, ele visitou 25 das aldeias que ele havia trabalhado antes. “Comecei a observar que esta política tinha o efeito de aumentar a taxa de mortalidade nas aldeias recolonizadas”, disse. “Em geral, os Yanomami estão constantemente explicando as epidemias em termos de ações malevolentes. E você não quer tomar muito conhecimento. Mas isso eu tive que ver com meus próprios olhos”, relata.

Sua outra acusação, e que mantém até hoje embora seja ainda mais disputada, é a de que os missionários provocaram uma luta entre os Yanomami, fornecendo armas a estes. Acusações públicas num artigo da revista New York Times, ele disse que não se atrevia a voltar para a região porque os missionários anunciaram que sua segurança não seria garantida na região.

Chagnon entendeu com esta declaração que seus inimigos entre os Yanomami estaria livre para matá-lo, sabendo que os missionários não fariam nada para impedi-los. Em 1994, a reunião pública da convenção da Associação Norte-Americana de Antropologia foi realizada para tentar reconciliar Chagnon aos missionários. Mas acabou em recriminações rancorosas.

Os assuntos ficaram sem solução por um tempo. Chagnon não pôde retornar à selva, os próprios Yanomami ficaram mais pobres, mais miseráveis e mais na moda. O contato com o Ocidente quase sempre fatal para os índios sul-americanos, em parte graças à falta de resistência para doenças comuns como sarampo, que é uma doença relativamente comum durante a infância, quando alcança uma população como a dos Yanomami ela pode ser mais perigosa que a peste.

Parte da vulnerabilidade é genética: parece que os índios sul-americanos possuem sistemas imunológicos que de algumas maneiras são vulneráveis. Os Yanomami estão em uma situação infeliz porque seus territórios possuem grandes reservas de ouro, e o impacto da devastação realizada por garimpeiros brasileiros, e foi terrível.

Em um caso famoso de 1992, 16 ou 17 mulheres Yanomâmi e seus filhos foram massacrados por garimpeiros. Este ato gerou protestos que na época ficaram na moda; mas pouco foi feito para que os Yanomami fossem ajudados. 
(Último Segundo)