Br-376 pode ter sítio arqueológico

O CEPA- Centro de Pesquisas Arqueológicas da UFPR – Universidade Federal do Paraná está fazendo um levantamento preliminar em um trecho de 100 quilômetros da BR-376, entre Mauá e Serra de Imbaú, para identificar se existe um sítio arqueológico na área.

Caso se confirme a presença do material, dentro de um mês, serão iniciados os trabalhos de escavações para salvar os vestígios históricos da região. A pesquisa está sendo patrocinada pela concessionária de pedágio da rodovia Rodonorte, que está realizando obras de duplicação da BR–376.

O diretor da Cepa, Igor Chmyz, estima que no local deva existir um vasto material histórico. Chmyz acrescenta que caso seja encontrado um sítio na área, o material terá de ser retirado com urgência para não atrapalhar o cronograma de obras da Rodonorte.

Segundo ele, os estudos estão sendo patrocinados pela empresa com base em leis que obrigam que, antes de uma grande obra, seja desenvolvido relatórios de impactos ambientais e arqueológicos. “A concessionária está cumprindo as normas que a maioria das empresas não fazem.”

Dificuldades – Mesmo tendo respaldo na lei, os arqueólogos enfrentam muitas dificuldades para salvar o material histórico alojado no subsolo.

Um dos grandes problemas para desenvolver o trabalho é a falta de fiscalização do Iphan – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e da Secretaria Estadual de Cultura – que são responsáveis pela conservação desse material.

De acordo com Chmyz, as obras que atingem o subsolo realizadas em locais que abrigam sítios arqueológicos, sem antes ocorrer um resgate do material histórico, também é um grande obstáculo. “O Iphan tem que cuidar das obras para saber se os vestígios serão afetados. Isso não é nossa obrigação. Somos arqueólogos, não temos que estar fiscalizando.”

Chmyz explica que uma das leis que protege o patrimônio arqueológico é a resolução 001 do Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente que determina que antes de uma obra é necessário se fazer um EIA – Estudo de Impactos Ambientais e um RIMA – Relatório de Impactos Ambientais, para se dimensionar os problemas ambientais e arqueológicos que podem ser causados. “Mas não são todas as empresas que cumprem está determinação, como a Rodonorte fez”, acrescenta.

Segundo Chmyz, neste estudo a deterioração arqueológica deve ser levada em conta, mas, na maioria das vezes, somente o meio ambiente é analisado. “Caso o levantamento comprove a pertubação do solo, é necessário fazer um resgate arqueológico, o que geralmente só ocorre quando a obra já começou. Por isso, muitos vestígios são destruídos.”

De acordo com Chmyz, outro problema é a resistência dos empresários em acatar as recomendações determinadas por lei. “Eles temem que a atividade arqueológica retarde o cronograma de trabalho. As escavações são pagas pelas empresas e isto também coopera pelo desinteresse”, acrescenta.
(Gazeta do Povo)