Protesto contra lixo atômico agita a Alemanha

Ativistas antinucleares alemães entraram em confronto nesta segunda-feira com a polícia, bloqueando algumas ferrovias do país, à medida que o primeiro carregamento de lixo nuclear enviado pela França há três anos se dirigia à Alemanha.

Segundo o jornal The Telegraph, o grupo de manifestantes ocupou as vias ferroviárias próximas a Luneberg, onde um trem protegido por forte esquema de segurança trazia, desde a Normandia (França), um carregamento do lixo que deve chegar ao país nesta terça-feira.

Em um outro trecho, perto da cidade de Nahrendorf, outros 15 mil manifestantes tentaram interromper a viagem. O trem, carregando seis containers de material gerado por usinas nucleares alemãs e enviado à França para ser reprocessado, foi a principal causa da manifestação.

O trajeto de retorno para Alemanha segue rumo a um antigo depósito em Gorleben, no norte do país. A retomada da decisão de transportar material radioativo por toda Alemanha, depois de três anos de proibição, causou uma onda de fúria entre os ativistas e o movimento antinuclear.

As autoridades temem que novos, e maiores, ataques contra o carregamento voltem a ocorrer no período de travessia do material por toda Alemanha.

A carga é a primeira de centenas que devem ser transportadas pela Alemanha na próxima década. “A Alemanha está novamente envolvida em um dos maiores crimes ambientais de nosso tempo”, diz Sven Teske, um ativista do Greenpeace.

Os manifestantes argumentam que a carga não recebe as devidas precauções e que a área ao redor será um “lamaçal nuclear” no país. Os ativistas pedem que todos que se preocupam com o problema compareçam aos protestos. O último carregamento, em 1997, causou grande tumulto entre a força pública e grupos de manifestantes.

Ameaças de acidentes radioativos com containers deste tipo estimularam ainda mais a preocupação com o problema em 1998. O órgão responsável pelo processo de reativação do material, Cogema, disse que todos os containers estão de acordo com o critério internacional de segurança.

Militantes e membros do Partido Verde da Alemanha estão cada vez mais furiosos porque um de seus líderes, Jurgen Trittin, ministro do Meio-Ambiente, tomou a decisão de apoiar as medidas do governo diante da situação.

Trittin justificou sua atitude dizendo que os recentes acordos entre o chanceler alemão Gerhard Schroeder e o presidente francês Jacques Chirac deram-lhe chance de entender o problema nuclear no país.

Logo depois que o governo francês alegou que o material já havia passado ao seu nível normal de radioatividade, as autoridades alemãs exigiram o retorno do lixo à Alemanha. O lixo foi submetido a processos técnicos em centros especializados franceses.

“Sabemos que isto teria que ser rediscutido”, disse Trittin. O armazenamento contínuo de lixo alemão na França seria “ilegal”, segundo o ministro alemão.

Trittin também argumentou que os manifestantes devem aceitar o transporte de lixo como parte de um acordo firmado entre usinas nucleares alemãs e francesas para os próximos 30 anos.

O ministro do Meio Ambiente se tornou de modo muito rápido o centro das críticas de seu próprio partido, que sem demora anunciou que os princípios do movimento estão sendo prejudicados por causa da coligação de Trittin com a facção de Schroeder, o Partido Social Democrata alemão.

No domingo, Trittin se reuniu com membros do partido para criticá-los depois da derrota dos verdes nas eleições estaduais. 
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