Pesquisa do genoma da cana pode levar a açúcar que engorda menos

Um trabalho pioneiro desenvolvido no Brasil promete levar a variedades de cana cujo açúcar será menos calórico. O açúcar que engorda menos poderá ser um dos primeiros frutos do desdobramento do Projeto Genoma da Cana-de-Açúcar realizado pelo consórcio de pesquisadores paulistas organizado pela Fapesp.

Os cientistas já concluíram a missão de seqüenciar os genes ativos da cana. O trabalho levou à identificação de milhares de seqüências de genes – acredita-se que a cana tenha cerca de 35 mil genes, 12 mil deles até agora desconhecidos em outras plantas. Os genes que podem levar ao açúcar menos calórico estão entre eles, mais precisamente entre os 200 genes de metabolismo de carboidratos já identificados.

O coordenador do projeto,Paulo Arruda, explica que o seqüenciamento do genoma é estratégico para um país com uma importante agroindústria como o Brasil. Segundo ele foi descoberto um novo tipo de açúcar na cana e acrescenta que com o uso de novas tecnologias, seria possível produzir novas variedades de cana, de açúcar menos calórico.

O genoma da cana foi um dos destaques ontem da Brazilian International Genome Conference, em Angra dos Reis. Na verdade, os genes do metabolismo de açúcares são apenas uma amostra do potencial do projeto. Já se sabe que a cana compartilha muitos de seus genes com outros cereais, como milho, trigo e arroz. Por conta disso, instituições estrangeiras já entraram em contato com o grupo de genoma brasileiro. Os dados levantados aqui podem poupar tempo e dinheiro na descoberta de genes de interesse de outros cereais, num tipo de pesquisa que promete aumentar a produtividade da agricultura.

O Brasil já domina tecnologias do uso da cana, tanto na produção de álcool como na redução da poluição. Diferentemente da pesquisa do genoma humano, intensamente estudada nos EUA, essa é uma área em que podemos ter liderança – diz o cientista.

A estratégia de seqüenciamento do DNA da cana se baseou em se decodificar apenas os genes expressos, isto é, ativos da planta. O DNA lixo, parte significativa do genoma, foi deixado de lado. A estratégia deu ao país a maior coleção do mundo de seqüências de genes expressos de um vegetal.
( ambientebrasil com informações O Globo e Agência Brasil )