Novo Atlas dos Remanescentes da Mata Atlântica no Rio causa polêmica

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais lançaram na semana passada, no palácio do governo do Rio de Janeiro, o terceiro volume do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro 1995-2000”. Mas desde então, membros do mesmo time de fundadores da mais famosa ONG ambientalista brasileira, o SOS Mata Atlântica, estão trocando farpas por e-mail.

Usando uma base de dados que começou a ser coletado em 1985, o “Atlas” divulga a cada cinco anos o que é considerado o melhor retrato do desmatamento da floresta natural típica das regiões litorâneas do país.

Este último volume mostra que depois de dez anos desmatando seu estoque de Mata Atlântica à razão de 145.710 hectares nos anos de 90/95, o Rio passou a desmatar apenas 3.773 hectares entre 1995 e 2000 (considerando que no estudo atual, a Floresta remanescente corresponde a 734.629 hectares ou 16,73% de mata original).

Segundo a diretora do SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota a diferença entre os dados do “Atlas” de 90/95 para o de 95/2000 é devido à mudança de escala e não a desmatamento. “O estudo atual mostra 3.773 de hectares desmatados, no Estado do Rio.

O Atlas anterior reinterpretado com a nova metodologia mostra 145.710 hectares de desmatamento entre os anos de 90 e 95”.

A velocidade de desflorestamento era tanta que, em vez de esperar cinco anos, o SOS Mata Atlântica, decidiu fazer uma medição intermediária, no ano de 1997. E ela confirmava os dados anteriores e sua tendência, apontando também para uma devastação entre 1995 e 1997 de um total de 15.684 hectares no período.

Como pode então o Estado ter não só revertido a velocidade de destruição como restaurado um pedaço da destruição na medida em que a média anual anunciada agora multiplicada pelos cinco anos do período resulta em apenas 3.773hectares? Essa foi a pergunta que resume o e-mail do o ex-fundador do SOS Mata Atlântica e atual diretor do programa Mata Atlântica do ISA – Instituto Socioambiental, João Paulo Capobianco,.

A resposta do Inpe pode ser resumida na seguinte explicação: a metodologia mudou e também a escala usada para confecção dos mapas. A escala dos mapas é o tamanho da representação que ela faz de uma região.

Segundo Capobianco, os dados publicados pelo SOS Mata Atlântica e pelo Inpe no Atlas de Remanescentes florestais são erros inaceitáveis. “A escala mudou, mas a diferença apresentada é inaceitável. “O desmatamento caiu para 3.773 hectares neste último estudo que abrange o período de 95/2000, sendo que no período de 90/95 foi de 145.710 hectares desmatados. Nenhum fato novo foi feito pelo governo do Estado do Rio para reflorestar as áreas já desmatadas”, conclui.
(ambientebrasil com Último Segundo)