Caça à madeira ilegal no Amazonas

O Ibama do Amazonas multou, nesta segunda-feira, dois madeireiros por transporte de madeira ilegal no Estado em 420 mil reais.

Os madeireiros, Raimundo Nonato de Souza Santos e Raimundo Nonato Amaral, foram autuados de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, são donos de três jangadas de madeira, inspecionadas pelo Ibama na Semana Santa a partir de denúncias do Greenpeace.

A madeira ilegal, com 2.100 mil metros cúbicos foi apreendida e, segundo o Ibama, será doada para a construção de casas populares. A carga era destinada à indústria de compensados de capital chinês Compensa, que tem fábrica em Manaus; à Serraria Ferreira Ltda, também em Manaus; e à serraria Madeiral, de Manacapuru.

No final de semana, uma jangada com 936 toras de samaúma, virola e muiratinga (cerca de 1.200 metros cúbicos), foi inspecionada, pelo Ibama, na confluência do Rio Negro com o Solimões, em frente à Manaus. Cerca de 400 metros cúbicos da madeira utilizada para a produção de compensados e laminados não tinham qualquer documentação.

O barco que rebocava a jangada, chamado de Raul Figueiredo I, foi apreendido. Na última quinta-feira (12), agentes do Ibama inspecionaram e apreenderam duas jangadas no Rio Amazonas, próximo à cidade de Manacapuru, totalizando 1.700 metros cúbicos de madeira sem documentos. Uma das jangadas era rebocada pelo barco Comandante Anderson, também retido.

Os barcos apreendidos havia sido avistado pelo Greenpeace no dia 15 de fevereiro, no Rio Tapauá (distante cerca de 500 km de Manaus em linha reta), quando a entidade investigava denúncias de exploração ilegal nos afluentes do Purus.

Desde então, a organização ambientalista vem monitorando a madeira utilizando GPS (sistema de posicionamento por satélite) e câmeras digitais. No dia 07 de abril, o Greenpeace documentou uma grande jangada descendo, próximo à Estação Biológica do Abufari. O barco que rebocava a madeira era o Comandante Anderson.

O Greenpeace está empenhado em propor soluções que ajudem a banir a madeira ilegal dos mercados nacional e internacional. Recentemente, a organização ambientalista submeteu à Procuradoria Federal da República (AM) um conjunto de idéias para ordenar o setor madeireiro.

De acordo com a proposta, as indústrias do Amazonas teriam um prazo de quatro anos para se adequar aos padrões definidos pelo FSC para a exploração de madeira na Amazônia de forma ecologicamente equilibrada, socialmente justa e economicamente viável. As empresas teriam doze meses para regularizar contratos com seus fornecedores, os ajudando a se adequar à lei.

Todos os contratos de compra e venda de madeira seriam registrados no Ministério Público, além do Ibama e demais órgãos ambientais estaduais. Fornecedores envolvidos com madeira ilegal teriam contratos suspensos ou cancelados.
(ambientebrasil com Último Segundo)