Guaraqueçaba um Recanto no Litoral Paranaense

Hoje não se avistam mais os guarás que originaram o nome da cidade, mas ainda, imagens de rara beleza podem ser observadas, como o balé dos botos na Ponta do Morretes e na Ilha das Peças, os micos-leões de cara-preta e os papagaios de cara-roxa no Parque Nacional do Superagui. O município de Guaraqueçaba, localiza-se no litoral norte do Paraná, e é considerado um dos cinco ecossistemas naturais mais preservados do mundo.

O acesso pode ser feito por meio rodoviário e marítimo. Aos que optarem a rodovia, existem dois caminhos, pode-se ir, saindo de Curitiba pela BR-277 ou pela BR-116 (Via Estrada da Graciosa) até a PR-405, estrada que possuí 80 kms. de terra em precário estado de conservação. A distância de Curitiba a sede de Guaraqueçaba é de 174 kms.

Quem optar pela via marítima, as embarcações saem diariamente do Ponto de Barcos do Mercado Municipal de Paranaguá, bom lembrar que para os amantes da fotografia, é um ótimo momento para registrar as belas paisagens do percurso pelas Baía de Paranaguá e de Guaraqueçaba.

HISTÓRIA

No início do século XVI, os índios Carijós (tronco tupi-guarani), habitavam toda a costa sul do Brasil, desde a barra de Cananéia até o Rio Grande do Sul. Estima-se que de 6 a 8 mil viviam no litoral paranaense desenvolvendo atividades de pesca e lavoura.

A história destaca à presença, em 1545, de colonos lusos estabelecidos em Superagui e, entre 1550 a 1560, na Ilha da Cotinga.

Em 18 de novembro de 1547, a 28 graus de latitude, após buscar proteger-se de uma tempestade, o navegador alemão Hans Staden se abriga no canal do Superagui, onde encontra índios Tupiniquins e dois portugueses náufragos. No seu relato de viagem em 1556 apresenta a primeira carta da baía de Paranaguá.

Diogo de Unhatte (tabelião da ouvidoria de São Vicente), no ano de 1614, depois da campanha do Iguape, obteve de Pero Cubas a sesmaria denominada Paranaguá, localizada entre os rios Ararapira e Superagui, onde localiza-se atualmente Guaraqueçaba.

No século XVII, intensifica-se o povoamento do litoral por europeus, através do capitão-mor povoador Gabriel de Lara. Já no século XVIII, com base no trabalho escravo são implantadas as primeiras fazendas.

Foi em 1938 que Cypriano Custódio de Araújo e Jorge Fernandes Corrêa, antigos proprietários de terras, construíram a Capela de Bom Jesus dos Perdões, na encosta do Morro do Quitumbê.

Em meados do século XIX, com o desmembramento do Paraná da província de São Paulo e sua elevação a Estado, houve o incentivo em se trazer imigrantes europeus para garantir a ocupação do território.

Na sua maioria os imigrantes, suíços, italianos e franceses, instalaram-se em Superagui, onde desenvolveram agricultura com uso de irrigação.

A partir da abolição da escravatura e a construção da estrada de ferro Curitiba- Paranaguá, ocorreu uma diminuição no volume e no escoamento da produção, por via marítima e fluvial. Essa situação provocou a migração interna.

Todavia, até as duas primeiras décadas do século XX, ocorre o período de maior prosperidade em Guaraqueçaba. Navios abastecidos com bananas e madeiras faziam linhas comerciais até a Argentina e Paraguai. Nesse mesmo período, agricultores paulistas, do litoral sul do Estado de São Paulo, cruzam a divisa, buscando terras férteis e baratas, nascendo assim as comunidades de Pedra Chata e Batuva.
Na década de 40, com a chegada dos alemães, funda-se Serra Negra e a ocupação do vale do rio Bananal. A segunda migração interna ocorreu em 60 e 70, oriunda do processo de ocupação de terras por especuladores imobiliários e por muitos latifúndios. Inaugura-se a rodovia Guaraqueçaba a Antonina (PR-405), única via de acesso à região, um novo processo de ocupação foi iniciado.

Em 80 se reconhece que o estímulo às atividades agrícolas convencionais somente acarretou a degradação e a acelerada descaracterização ambiental da região. A partir de então valorizou-se a região de Guaraqueçaba, procurando resguardá-la do uso indiscriminado e intensivo, criando-se algumas Unidades de Conservação, cujo principal objetivo é disciplinar as atividades que nelas ocorrem, bem como valorizar todo o patrimônio natural existente.

PASSEIOS

Para quem estiver visitando pela primeira vez Guaraqueçaba, seguem aqui algumas dicas de locais interessantes para se conhecer :

1) Centro de Visitantes do IBAMA –
O Núcleo de Educação Ambiental do IBAMA no Paraná, em parceria com a APA, a Prefeitura Municipal de Curitiba e as Secretarias locais, vêm desenvolvendo cursos de capacitação para multiplicadores em educação ambiental, bem como vem apoiando a implementação do referido Centro.

O local ainda oferece :
– exposições auto explicativas sobre a região;
– mapas;
– fotografias;
– materiais históricos da região;
– biblioteca;
– videoteca com sala de projeções para o público interessado. Vale a pena começar por aqui para ter uma visão macro da região.

2) Morro do Quitumbê –
A trilha de aproximadamente 800 metros, inicia-se ao fundo da Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões. O visual da baía amplia-se no alto do morro, proporcionando ótimas fotografias.

3) Morro do Bronze –
Com 4500 metros de extensão de fácil caminhada, traz ao visitante ótima visão panorâmica do região do entorno de Guaraqueçaba. Pode-se observar do alto do pico, a Ilha de Superagui, das Peças e vasta região da APA de Guaraqueçaba.

4) Reserva Natural do Salto Morato –
Localizada a 20 km. da sede do município pela PR-405, a reserva faz parte da mata atlântica e pertence a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. A biodiversidade encontrada de fauna e flora é rica, sendo que lá se encontra o salto Morato, uma queda d’água de 80 metros de altura. Informações e reservas telefone (041)9978-2741 / 381-7558.

5) Mirante da Serra Negra –
Localiza-se na rodovia de ligação entre Antonina e Guaraqueçaba, distando 74 km da primeira cidade. O mirante é atingido por uma escadaria com 127 degraus a aproximadamente 30 m de altura, o que permite a visualização da bonita da baía de Guaraqueçaba e de todo o seu entorno.

6) Ponta do Morretes –
Situa-se no centro da cidade e se constitui em área arborizada, com passarela beirando o Costão. É um dos locais que podem ser observados os botos e os morcegos-pescadores.

7) Parque Nacional do Superagui –
É o santuário ecológico dos micos- leões de cara preta. O acesso é por via marítima, podendo ser feito por Paranaguá ou de Guaraqueçaba. Faz parte do complexo estuarino-lagunar integrado por Cananéia, Iguape e Paranaguá, uma das regiões mais importantes do País sob o ponto de vista de sustentação alimentar. Inclui restingas, diversas formas de vegetação, mangues, elevações isoladas, grandes áreas de praias desertas, além de diversas trilhas ecológicas. Abriga diferentes espécies animais, algumas raras ou em extinção, como o papagaio chauá, o jacaré de papo amarelo, os macacos sauá e o mono carvoeiro, além de vegetais como ipês, jacarandás, caxetas e orquídeas. Informações podem ser obtidas no IBAMA de Guaraqueçaba (0xx41) 482-1262.

NÃO ESQUEÇA

O artesanato é um dos pontos fortes da cultura local. Cestarias, miniaturas de animais feitas pelos índios, esculturas em madeira, trabalhos manuais reunindo conchas do mar e pinturas podem ser encontradas na praça central na Casa do Artesanato.

Existem dois hotéis e oito pousadas na cidade. Os restaurantes tem como principal opção gastronômica, cardápios com ótimas opções para os apreciadores dos frutos do mar. Ostras ao vinagrete, panquecas e casquinhas de siri, pratos com camarões e peixes. É de se encher a boca de água !

Agora é só preparar a mala ou a mochila, preparar o espírito e por o pé na estrada, rumo as belezas naturais intactas de Guaraqueçaba ! (Textos e Fotos :Arno Emilio Gerstenberger Junior )