Aproveitamento agroindustrial da casca de coco ainda é reduzido

Buscando o aproveitamento da casca de coco verde, cujo volume descartado no meio ambiente já causa poluição e impacto negativo, a Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE), realiza estudos objetivando seu aproveitamento de maneira a gerar fonte de receita para o agronegócio do coco.

Segundo a pesquisadora Morsyleide de Freitas, o aumento do consumo e da industrialização de água-de-coco verde contribui para o agravamento dos problemas de disposição final do resíduo gerado.

A técnica afirma que cerca de 85% do peso bruto do coco verde representam lixo. As cascas levam aproximadamente oito anos para se degradar, causando problemas principalmente nos grandes centros urbanos onde esse material é de difícil deposição, sendo enviado para lixões e aterros sanitários. “O descarte desse resíduo representa um adicional de custo, já que as indústrias processadoras são incluídas no rol dos chamados grandes geradores de lixo”, diz.

Morsyleide informa que o pó da casca do coco maduro já é utilizado como substrato agrícola, por apresentar uma estrutura física vantajosa proporcionando alta porosidade, alto potencial de retenção de umidade e por ser biodegradável. A Embrapa busca opções para a utilização do coco verde como substrato agrícola, o que encontra restrições nos produtores devido a alta umidade e às características da fibra. “A fibra de coco verde não apresenta as mesmas características desejadas daquelas obtidas a partir do coco maduro. Por isso, não é beneficiada e, geralmente, é descartada”, explica a pesquisadora.

A pesquisadora destaca que a casca de coco é constituída por uma fração de fibras e outra de pó, que se apresenta agregado às fibras. “O pó da casca é o material residual do processamento da casca de coco maduro para obtenção da fibra”, diz. Ela ressalta que já são conduzidos estudos para verificar a potencialidade da casca de coco verde. Segundo diz, o substrato agrícola foi obtido por uma seqüência de etapas que inclui a dilaceração, moagem, classificação, lavagem e secagem.

O pó obtido também já é testado em hortaliças, flores e fruteiras e, segundo Morsyleide, será experimentado em outros cultivos durante esse ano. Ela garante que é um meio de cultivo 100% natural e também é indicado para germinação de sementes e propagação de plantas em viveiros.

A casca do coco, porém, já tem outro aproveitamento. A montadora de veículos DaimlerChrysler já emprega fibras de coco nos encostos de cabeça e para-sóis dos caminhões da marca Mercedes-Benz. Este ano também serão usadas para estofamento dos bancos e dos sofá-camas dequeles veículos, além do automóvel da marca Classe A, que a Mercedes produz em Juiz de Fora (MG). Estes componentes serão fornecidos pela Poematec – Fibras Naturais da Amazônia, empresa recém-fundada e localizada em Ananindeua, no Pará.

A fábrica, que fornece produtos de fibras de coco e borracha natural, foi criada como uma alternativa para evitar a destruição da Floresta Amazônica. A DaimlerChrysler aderiu a essa idéia com intuito de equipar o máximo possível os veículos com componentes locais, gerando empregos na região, bem como utilizar materiais compatíveis com o meio ambiente, que sejam recicláveis.

Além disso, a companhia visa diminuir os custos, uma vez que os componentes feitos de fibras naturais são mais fáceis de serem decompostos que os convencionais – geralmente produzidos com derivados de petróleo -, além de serem mais baratos.

Para atender o fornecimento de matéria-prima para a Poematec, foram instaladas em oito municípios do Pará unidades de beneficiamento de fibra com capacidade para processar 100 toneladas por mês. Os próprios moradores, organizados em cooperativas, serão responsáveis pela extração das fibras e transformação em cordas, atividades que empregam um contingente de cinco mil pessoas.

Neste estágio inicial de atividade são produzidas mensalmente sete toneladas de componentes prontos, confeccionados com quatro toneladas de fibras de coco e três de borracha natural. Espera-se que, até o final deste ano, a produção aumente para trinta toneladas. Quando os turnos de trabalho alcançarem sua capacidade total, por volta do final de 2002, a Poematec consumirá por mês 45 toneladas de fibra de coco para fabricar 80 toneladas de componentes finalizados.

Assentos, encostos e apoios de cabeça para bancos de veículos serão fabricados pela Poematec. Alguns produtos também serão feitos para aplicação na agricultura, nas indústrias de móveis, artesanato, na construção civil e jardinagem. Tudo utilizando-se a casca de coco. Nos estofados, a fibra de coco tem a vantagem de ser resistente, durável, reciclável e biodegradável, além de ser ergonomicamente correta. Sua vida útil, quando manufaturada, é de 90 anos.

O país que mais utiliza fibra de coco em estofamentos de veículos é a Alemanha, por meio da DaimlerChrysler. Ela foi uma das primeiras montadoras a empregar fibras naturais em componentes para veículos, que, todavia, já são utilizadas pela indústria automobilística desde o início do século passado. Agora, a empresa alemã estuda a possibilidade de transferir essa tecnologia para a fábrica do Classe C, na África do Sul. O objetivo é seguir o exemplo dos modelos da marca Mercedes-Benz, que, em todo o mundo, utilizam fibras naturais em alguns de seus componentes.
(Agência Brasil)