Região Sul fica fora do racionamento pelo menos até setembro

Os três estados do Sul – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul – ficarão fora do racionamento de energia pelo menos até o mês de setembro próximo.

A decisão foi tomada nesta terça-feira, em reunião entre os representantes do setor de energia desses estados e os integrantes da CGE – Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica no Palácio do Planalto.

“Em nenhum momento da reunião da Câmara falou-se em racionamento. A CGE não pode falar em racionamento, porque as condições do Sul são radicalmente diferentes do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste”, disse a secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff.

“Não há racionamento no Sul do país, a Câmara reiterou a posição do Operador Nacional do Sistema Elétrico”, concluiu a secretária, explicando que o ONS avalia que há um nível de 98,3% de água nos reservatórios que abastecem as hidrelétricas no Sul.

O risco do racionamento, foi afastado, segundo Dilma Rousseff, em razão das boas condições climáticas da região, onde as chuvas nessa época estão acima das expectativas. “Além disso, os níveis dos reservatórios estão bastante razoáveis.

Há projetos em andamento na região de ampliação do potencial energético, que poderão redundar num aumento da carga produzida até o final de 2002 em até 3.300 megawatts (MW), o equivalente a todo o consumo atual de eletricidade do Rio Grande do Sul”, explicou Dilma.

Além disso, os três estados sulistas estão desenvolvendo programas de economia de energia, num trabalho que envolve o governo, a população, a indústria e o comércio, o que já está proporcionando uma economia de 4%.

A meta da secretária é economizar imediatamente entre 7% e 12%, já a partir dos próximos dias, principalmente através do combate ao desperdício de eletricidade. O ONS sugere que a economia no Sul alcance apenas 7%.

De acordo com Dilma Rousseff, o combate ao desperdício será “absolutamente implacável”. “Você não pode mais aceitar que a energia possa ser vista como uma coisa que possa ser jogada fora.”

Conforme a secretária, sem considerar a energia produzida pela Itaipu Binacional, que já é transferida diretamente para o Sudeste, os estados do Sul exportam hoje para esta região cerca de 2.800 MW. Com a ampliação do potencial energético, com a conclusão das obras, essa transferência poderá ser mais expressiva, na avaliação de Dilma Rousseff.

Estão sendo construídas e otimizadas as hidrelétricas de Machadinho, entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, que vai gerar 1.100 MW; a segunda linha da hidrelétrica de Garabi, a qual irá produzir outros 1.100 MW; duas termelétricas no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina: em Canoas (RS), com perspectiva de produção de 167 MW, em Araucária (RS), com 450 MW, e a termelétrica catarinense, com 483 MW. No total, essas termelétricas vão gerar 3.300 MW de energia.

O representante do estado de Santa Catarina, o vice-governador Roberto Bauer, foi o único sulista a não participar da reunião da CGE. Devido ao mau tempo em Florianópolis, o Aeroporto Hercílio Luiz ficou interditado, atrapalhando todas as decolagens, o que motivou o atraso. Mas ele conseguiu entregar ao ministro Pedro Parente, presidente da CGE, o relatório sobre a situação energética de seu estado.

Pelo Paraná, participou o secretário de Planejamento e Coordenação Nacional, Miguel Salomão.
(Agência Brasil)