Partículas poluentes aumentam risco de um ataque cardíaco

Micropartículas poluentes presentes no ar das grandes cidades aumentam consideravelmente o risco de uma pessoa sofrer um ataque cardíaco. Num dos maiores estudos sobre o assunto já realizados nos Estados Unidos, descobriu-se que apenas duas horas de exposição a níveis elevados de partículas microscópicas de poluentes — como as liberadas pela queima de combustíveis por veículos — são suficientes para elevar o risco de um infarto, especialmente para pessoas que já sofrem de doenças cardíacas.

O risco da associação entre micropartículas poluentes e ataques cardíacos também seria maior em dias mais quentes. Segundo os autores do estudo, as temperaturas elevadas aumentam a sensação de mal-estar e favorecem a dispersão de poluentes.

— Grandes concentrações de partículas poluentes (como restos de metais pesados) são mais freqüentes em dias quentes e nebulosos — disse o chefe do estudo, o cardiologista e epidemiologista Murray Mittleman.

A pesquisa foi liderada por cientistas do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston. Os pesquisadores mediram os níveis de poluição do ar em Boston e entrevistaram 722 pessoas que haviam sido internadas em hospitais da cidade devido a problemas cardíacos, entre 1995 e 1996.

Eles descobriram que o risco de ataque cardíaco era até 48% maior duas horas após essas pessoas terem sido expostas a altos níveis de poluentes do ar invisíveis. O risco de infarto permanecia elevado até um dia depois da exposição a altos níveis de poluição.

Mittleman lembrou que os cardíacos e os idosos são os mais vulneráveis aos efeitos da poluição.

— Alguém que já tenha algum tipo de doença cardíaca ou que seja idoso pode ter seu risco médio de ataque do coração elevado para até 40% devido à poluição do ar — disse o pesquisador.

A pesquisa foi considerada importante por especialistas. Ela foi publicada na última edição da revista médica “Circulation”, editada pela Associação Americana do Coração.

Partículas poluentes podem ter vários tipos de fontes. Elas são emitidas principalmente por veículos movidos a combustíveis fósseis (queima de derivados de petróleo), indústrias, usinas termoelétricas e refinarias.

— É quase impossível para os habitantes de cidades escapar da exposição a partículas poluentes — disse um dos integrantes da pesquisa, Douglas Dockery, professor de epidemiologia ambiental da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard.

Quanto menores as partículas, maiores os riscos para a saúde. Isto porque as partículas menores — com menos de 2,5 micrômetros — podem passar despercebidas por parte do sistema de defesa do organismo e penetrar profundamente nos pulmões. As dificuldades respiratórias decorrentes causam processos inflamatórios potencialmente perigosas para um coração já debilitado por doença ou idade.

Já partículas maiores, como as de poeira doméstica, restos de rejeitos da agropecuária e da construção civil dificilmente causam grande obstrução das vias respiratórias e, por isso, não são consideradas perigosas para o coração. (O Globo)