Assessoria de Comunicação do IBAMA defende desativação da Estrada do Colono

Por que fechar a Estrada do Colono

Quando o Parque Nacional do Iguaçu foi criado, em 1939, todo o oeste do Paraná era uma imensa massa florestal praticamente despovoada. O caminho que hoje se chama de Estrada do Colono foi aberto na década de 50, mais de 15 anos depois que o Parque foi criado e alguns anos depois que sua área foi ampliada. Inicialmente ligava a estrada Foz do Iguaçu-Guarapuava, que acompanhava o limite norte do Parque Nacional do Iguaçu, até a margem do rio. Só alguns anos depois foi aberto o trecho que continuava a partir do rio Iguaçu e chegava até Capanema, então uma vila em início de implantação, e acabou por se conectar com as vias de acesso que vinham do sul. Sua existência foi admitida porque naquele momento ela era a única alternativa de circulação para os novos habitantes que migravam para a região, bem como para o fluxo de mercadorias. Seu impacto era muito menos significativo, porque além de um volume de tráfego pequeno, o Parque Nacional ainda não estava ilhado como hoje. Todo o seu entorno era completamente coberto pela floresta nativa.

Mas a região passou por mudanças profundas, que alteraram completamente a situação do Parque. Onde antes existiam dois municípios hoje existem 128. No município de Foz do Iguaçu, que antes tinha 3 milhões de hectares e englobava todo o Parque viviam menos de 17.000 pessoas. Hoje, com uma área 50 vêzes menor abriga uma população 100 vêzes maior. Da imensa e contínua floresta que cobria milhões de hectares restou apenas o Parque Nacional do Iguaçu.

Estradas asfaltadas ligam todos os pontos da região e a estrada do Colono passou a ter uma função muito menos importante, tornando-se desnecessária. Até mesmo uma ponte internacional sobre o rio Santo Antônio, ligando Capanema com a Argentina foi construída para compensar o fim daquela via através do Parque. Mesmo que para uma minoria ela ainda tenha uma importância significativa, é inegável que seu fechamento não traz nenhum transtorno grave. Para o Parque, ao contrário, sua manutenção significa o empobrecimento gradativo que fatalmente irá levar à extinção de espécies a médio e longo prazos, comprometendo a função ecológica desta que é uma das mais importantes áreas protegidas do sul do País. É necessário enfatizar o valor do Parque Nacional do Iguaçu para que se entenda que fechar a estrada não é uma decisão contra a comunidade local, mas sim a favor do País. A importância ecológica do Parque do Iguaçu é tão grande que ela foi reconhecida a nível mundial. Durante mais de uma década ela foi a única área natural brasileira reconhecida como Patrimônio da Humanidade, título hoje que pode perder por causa da Estrada do Colono.

Mais do que a perda de um título honorífico importante, o que está em jogo é, na verdade, o bem estar ecológico coletivo, direito que a nossa Constituição garantiu aos brasileiros pela primeira vez. E quem mais perde são exatamente aqueles que acreditam que a Estrada é um bem de grande valor. Manter a estrada aberta, ainda mais pelos meios ilegais empregados para isso, além de favorecer apenas algumas pessoas, que estão lucrando muito com a situação, afeta direta e negativamente o Parque. Não se trata de encontrar uma solução para o seu funcionamento. Não se trata do nome ou do conceito da zona em que a estrada se situa ou da legislação que se aplica a ela. O que é preciso ficar claro é que a simples existência do caminho, mesmo sem tráfego, já tem impactos. O tráfego de veículos acentua esses impactos de forma exponencial, colocando em risco o Parque. Por isso não existe alternativa ao fechamento.

Fechar e manter fechada esta estrada é um preço a ser pago para que o Parque Nacional do Iguaçu possa cumprir sua missão. É um preço muito pequeno pelo ganho que significa manter esta área protegida. (Assessoria de Comunicação do Ibama)