Navegação ameaça sítio arqueológico no rio Paraguai

A intensa navegação no rio Paraguai, na região do Pantanal, ameaça pelos menos 180 sítios arqueológicos pré-colombianos descobertos nos últimos anos entre os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso Sul, a Bolívia e o Paraguai.

O alerta é do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que está fazendo um levantamento dos sítios para tentar preservar o material colhido em um museu e um centro de pesquisa arqueológica. Boa parte deles está localizada às margens do rio.

O projeto da Hidrovia Paraguai-Paraná, a destruição de matas ciliares, formação de bancos de areia ao longo do rio e abertura de estradas podem destruir os vestígios das civilizações descobertas, as quais estavam submersas nas águas do Pantanal.

“Tudo isso tem causado danos ao patrimônio arqueológico. Esses sítios estão sendo desmontados, destruídos” lamentou a arqueóloga do Iphan Maria Clara Migliacio.

A última descoberta ocorrida na região foi a de um cemitério pré-colombiano em 1999. Um grupo de pesquisadores da Unemat – Universidade Estadual de Mato Grosso, UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso e Iphan encontrou na região de Cáceres (MT) corpos em urnas mortuárias de argila da nação indígena xaraiés, que viveu na região há 800 anos.

Xaraiés – O desaparecimento desse povo, segundo os pesquisadores, coincide com a chegada dos espanhóis, de quem receberam o nome pelo qual são conhecidos. Os europeus chamavam a região do Pantanal de Mar de Xaraiés, por acreditarem que se tratava de um mar mediterrâneo.

“Nesse trecho ocorre um tipo de sítio arqueológico que não se encontra em outras partes do Brasil”, afirma a arqueóloga Maria Clara. “É uma preciosidade o que temos ali e fica restrita ao Pantanal.”

Na tentativa de preservar não só o patrimônio arqueológico, mas também a exuberante beleza do Pantanal, em Cáceres, a 210 quilômetros de Cuiabá, o Grupo Cometa mobiliza centenas de alunos das escolas públicas e privadas em ações de preservação ambiental.

Por meio do projeto Cometa Ecologia, em parceria com a Unemat, estão sendo desenvolvidas atividades como plantio de árvores nas matas ciliares, o lançamento de um milhão de alevinos no rio Paraguai, coleta de lixo e reciclagem de papel.

“O objetivo é que os alunos se conscientizem sobre a importância da preservação e sejam multiplicadores, despertando essa consciência em seus pais”, comentou o empresário Francis Maris Cruz.

Na avaliação do empresário, a educação ambiental deve envolver toda a comunidade. ´Se cada um fizer a sua parte, podemos garantir um futuro melhor para os nossos filhos e netos, preservando o meio ambiente.”
(Estadão)