Consumo na Região Sul recua 7,59%

A Região Sul alcançou a meta de redução no consumo recomendada pelo ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico nos primeiros 17 dias de junho.
        
Conforme avaliação do ONS e da CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica, a economia chegou a 7,59% em relação a carga anteriormente projetada para esse período. A meta estipulada é de 7%. No Rio Grande do Sul, a redução de consumo foi de 5,77%.
       
Os dados foram apresentados ontem pelo diretor de distribuição da CEEE, Carlos Marcelo Cecin, na reunião conjunta dos conselhos de consumidores das três empresas que atuam na área no Estado. Além da CEEE, participaram representantes da AES Sul e da RGE – Rio Grande Energia.

Embora ainda não haja um levantamento detalhado sobre a origem da maior contribuição para a economia, há um indicativo de que o consumidor residencial esteja dando o maior quinhão: as quedas mais acentuadas ocorrem no horário de ponta, entre 18h e 22h, quando há mais iluminação doméstica.
        
Conforme o coordenador do grupo temático de energia da Fiergs – Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, Carlos Faria, de fato há mais dificuldade na redução do consumo nas fábricas.
        
“Há setores que estão aumentando a demanda, por crescimento e deslocamento da produção, caso da indústria calçadista e siderúrgica”, explicou Faria.
        
Outro fator, segundo o empresário, é a dificuldade de implantar programas de aumento na eficiência do uso da energia.
        
“A indústria vai atingir o número desejado de redução quando unirmos ação e investimento”, avaliou.
        
Um estudo do Copergs – Comitê de Operação e Planejamento do Sistema Elétrico do Estado simulou o tamanho da redução necessária para o caso de alguns segmentos não conseguirem obter economia. Se não houver redução na indústria e na iluminação pública, os consumidores residenciais e comerciais teriam de aumentar sua contribuição para 14%.
       
Um dos obstáculos nesse sentido, conforme José Wagner Kaehler, professor pesquisador da PUC – Pontifícia Universidade Católica, doutor em energia e integrante do grupo temático de energia da Fiergs, é a falta de linhas de financiamento com taxas de juro compatíveis.

Segundo Kaehler, as taxas disponíveis, entre 16% e 18%, são muito elevadas. Consultor da AES Sul, o professor disse que a empresa oferece uma linha com 12% de juro ao ano, mas com volume total limitado a R$ 700 mil.
        
Cecin lembrou que entre o final de junho e o início de julho, o Banrisul lançará uma nova linha, em convênio com a CEEE. O Banrisul será responsável pelo produto financeiro, e a CEEE fará a análise técnica do projeto. O objetivo será a redução no consumo sem perda de produção.
        
Antônio Cláudio Borges, chefe do departamento comercial do Banrisul, explica que para valores de financiamento mais elevados como devem ser os previstos nestas linhas, o prazo será de até cinco anos com TJLP – Taxa de Juro de Longo Prazo mais 6% ao ano – o que dá um custo ao redor de 18%.
        
Embora as três distribuidoras de energia que atuam no Estado tenham tentado fazer uma campanha publicitária única para todo o Rio Grande do Sul, o esforço não prosperou.

Os principais obstáculos para o plano conjunto foram os custos e a diferença de enfoque que cada uma das empresas pretende dar a sua linha de comunicação. O diretor de marketing e novos negócios da AES Sul, Roberto Zanardo, explicou que a empresa pretende adotar um discurso mais impactante.
        
“Queremos ser transparentes com nossos clientes. Estamos fora do racionamento agora mas podemos entrar se a média de chuvas não for a esperada ou se não reduzirmos o consumo como deveríamos”, justificou Zanardo.
(Zero Hora Online)