Ibama retoma o plantio de árvores na Estrada do Colono

O Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis iniciou o replantio de árvores no local onde existia a Estrada do Colono, destruída na semana passada por soldados do Exército e agentes da Polícia Federal.

O caminho, com 17,6 quilômetros, cortava o Parque Nacional do Iguaçu. Segundo o Ibama, a partir de agora, o trecho é considerado área de reflorestamento. A previsão é que sejam plantadas inicialmente cerca de quatro mil mudas de árvores nativas.

A organização ecológica Rede Verde de Informações Ambientais está fazendo uma lista de pessoas dispostas a ajudar no trabalho. “Pretendemos levar o máximo possível de voluntários”, disse o ambientalista Tiaraju Fialho.

De acordo com ele, daqui a sete anos as novas árvores estarão cobrindo a estrada. “Mas vai ficar uma cicatriz”, diz. O fechamento dessa “ferida” pode durar cerca de 15 anos, com a vegetação atingindo o estágio secundário.

Para Fialho, os governos estadual e federal deveriam desenvolver uma política diferenciada de desenvolvimento para os municípios em volta do parque. “A natureza cuida de si mesma, o que temos de nos preocupar é com o homem”, afirma.

Ele propõe incentivos para que os colonos desenvolvam agriculturas orgânicas, capazes de ganhar mercado por serem cultivadas na região do parque. “Os vizinhos de uma reserva de importância global merecem tratamento específico”, diz.

Ontem, os agentes federais começaram a deixar o parque. Um grupo com pelo menos dez homens deve permanecer no local, para garantir que não haja uma nova invasão.

Recurso

Os moradores das cidades vizinhas tentam reverter a decisão de fechamento da estrada. Prefeitos e deputados devem reunir-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, e com a juíza Marga Tessler, do Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, que determinou o fechamento. Eles entraram com recurso para manter a estrada aberta. Ontem, um grupo reuniu-se com o chefe da Casa Civil do governo estadual, Alceni Guerra.
(Folha da Tarde Online)