Tecnologia diminui riscos na destruição do amianto

Diversos países europeus e os estados brasileiros de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo já proibiram o uso do amianto em construções civis, devido aos riscos que o mineral oferece à saúde, quando de sua manipulação.

Mas, para ser retirado de paredes, tetos e equipamentos onde tenha sido aplicado como isolante térmico ou para prevenir a propagação de incêndios, o amianto oferece os mesmos riscos aos trabalhadores encarregados da remoção, assim como seus resíduos podem contaminar o ambiente, se não forem adequadamente destruídos.

Por isso, uma equipe de pesquisadores do Instituto de Química da Unesp – Universidade Estadual Paulista, de Araraquara (SP), começou a estudar um novo material – o coacervato de cálcio e sódio – desenvolvido na França, capaz de imobilizar as fibras do amianto e reduzir os riscos durante sua manipulação e destruição.

A pesquisa envolve 2 professores, 2 pesquisadores de pós doutorado e 1 mestrando, com a consultoria do francês, que desenvolveu o coacervato, Pierre Vast, da Universidade de Lille.

“Acabamos desenvolvendo um outro material – à base de polifosfatos de sódio – e uma tecnologia própria de imobilização e destruição do amianto, que estamos em processo de patentear”, conta Marco Utrera Martines, coordenador do projeto, financiado há 2 anos pela Fapesp -Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com recursos da ordem de R$40 mil.

O maior problema da manipulação do amianto é causado pela inalação das fibras, que se desprendem do mineral e, ao longo dos anos, se acumulam nos pulmões, causando doenças como asbestose e câncer.

Tanto o coacervato como o material desenvolvido pela Unesp têm uma consistência de gel e podem ser espalhados sobre as superfícies de amianto, penetrando, envolvendo e imobilizando suas fibras, de forma que elas não ficam mais em suspensão, quando o amianto é quebrado, e não são mais inaladas pelos trabalhadores.

“Também se reduz a temperatura necessária para a fusão do amianto, no processo de destruição, cortando custos”, continua Martines.

Nos processos tradicionais, o amianto demanda temperaturas entre 1.800 e 2.000oC para ser destruído, custando cerca de US$1.200,00 por tonelada. Com as novas tecnologias, a temperatura pode ser igual ou inferior a 800oC e o custo cai pela metade.

“Os materiais resultantes destes processos, na verdade, são potencialmente interessantes para uso onde o amianto ainda não é proibido: são vitro-cerâmicas de elevada estabilidade térmica e mecânica, que mantêm as principais propriedades do amianto, porém com as fibras imobilizadas”, afirma o pesquisador da Unesp.

O amianto é conhecido por sua alta resistência mecânica (comparada ao aço); incombustibilidade; baixa condutividade térmica; resistência a produtos químicos e estabilidade em diferentes níveis de acidez; capacidade de filtrar microorganismos e outras substâncias nocivas; capacidade de isolamento elétrico e acústico; durabilidade; flexibilidade; afinidade com cimentos, resinas e isolantes plásticos e facilidade para ser tecido ou fiado.

O Brasil é o terceiro produtor mundial, suprindo o mercado interno e exportando cerca de US$30 milhões com o amianto retirado de uma única mina, explorada a céu aberto, em Minaçu, Goiás.

Os mesmos processos de imobilização, em estudo na Unesp, servem para a destruição de outras fibras inorgânicas, que também oferecem risco à saúde quando inaladas, mas cujo uso ainda não foi regulamentado pela legislação, como as fibras de vidro.
(Estadão Online)