Descobertos os primeiros ovos de crocodilo fossilizados no país

Fósseis praticamente completos e intactos de crocodilos primitivos, que habitaram a Terra há 70 milhões de anos, foram encontrados na região de Marília, no interior de São Paulo. O anúncio da descoberta foi feito na 4ª feira pelo professor e um dos coordenadores do projeto de pesquisa do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Ismar de Souza Carvalho.

Segundo Carvalho, este é um achado inédito, que abrange desde os ovos fossilizados de crocodilos, encontrados pela primeira vez no país, até as formas juvenis e adultas de espécimes já extintos. Foram encontrados cinco fósseis em diferentes fases de crescimento: três na idade adulta, um jovem e um filhote.

Todos os exemplares são da família Notossúquios, da espécie Maríliassuchus amarali. “Isso nos possibilita compreender a diversidade e a evolução da vida desde o período cretáceo, até os dias atuais. Esta espécie é única e exclusiva do Brasil”, explicou Ismar.

Todo o trabalho teve apoio financeiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e foi realizado em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro. A pesquisa se iniciou em 1998, com a desoberta do jazigo fossilífero, mas só no ano seguinte foi localizado o primeiro fóssil. Trata-se de um crocodilo medindo cerca de 30 centímetros de comprimento.

As escavações, também coordenadas pelo professor da Unesp Reinaldo Bertini, tiveram seus primeiros resultados publicados na revista científica Geologia Colombiana, em dezembro de 1999. Entusiasmados, os cientistas fizeram diversas visitas ao jazigo. No início de 2000, foram encontrados três fósseis de animais adultos.

Em fevereiro último, em outra expedição ao local, descobriu-se dois ovos fossilizados no afloramento do Rio do Peixe, que corta a região de Marília. De acordo com a bióloga da equipe da UFRJ, Cláudia Maria Magalhães Ribeiro, é raro o encontro de ovos fossilizados no Brasil. Isto porque, segundo ela, sua fragilidade requer condições muito especiais de fossilização.

Os crocodilos viviam na terra e comiam peixes e insetos. Segundo levantamentos feitos pelos cientistas, os animais que habitaram a região de Marília, tinham pequeno porte, mediam de um a 1,5 metro ao atingir a idade adulta. Sua dentição era reduzida e especializada, apropriada a seus variados hábitos alimentares, baseados em pequenos animais.
Para os pesquisadores, a morfologia craniana do animal sugere o hábito de vida terrestre. “Tais características revelam grandes mudanças ocorridas entre estes répteis e seus sucessores representados hoje pelos crocodilos e jacarés, que possuem cara comprida e dentição afilada”, explica o professor da UFRJ.

A análise do material obtido leva aos pesquisadores formularem hipóteses sobre as causas que possibilitaram a esse grupo sobreviver ao fenômeno que provocou a extinção dos dinossauros e uma parte da fauna, há 65 milhões de anos. Na busca por respostas, o departamento de Geologia da UFRJ implementa uma linha de estudo que tem como base os crocodilos fósseis. De acordo com os pesquisadores, o objetivo é entender a evolução dos ambientes cretácicos no Brasil o que ajudará a responder a uma série de indagações dos especialistas. (Agência Brasil)