Florestas americanas são ralos de carbono

Um estudo publicado na última revista “Science” deve jogar mais fumaça sobre o problema das emissões mundiais de gás carbônico. Ele aponta um grande “ralo” de carbono nos EUA, maior emissor de gases-estufa do planeta.

Os chamados sumidouros de carbono são basicamente florestas que, ao crescer, retiram o gás carbônico da atmosfera pela fotossíntese e fixam o carbono em sua biomassa (troncos, folhas e raízes). É graças a eles que as concentrações de CO2 no ar se mantêm mais ou menos constantes, embora as emissões mundiais do gás não parem de crescer.

Estima-se que as florestas sequestrem, anualmente, cerca de 2 bilhões de toneladas de carbono, 25% das emissões provocadas pela queima de combustíveis fósseis.

Mas os inventários florestais, ou seja, as medições do carbono efetivamente sequestrado, indicam que as quantidades aprisionadas pelas árvores no hemisfério Norte (onde estão as florestas mais jovens) são muito menores.

Parte do mistério foi resolvida pela equipe do ecólogo Stephen Pacala, da Universidade Princeton. Ela mediu o tamanho do sumidouro de carbono e descobriu que as florestas americanas sequestram de 0,37 a 0,71 bilhões de toneladas do elemento -mais que as estimativas anteriores, de 0,08 bilhões a 0,35 bilhões.

O valor apontado pelo grupo é explicado pela descoberta de que mais de 75% do carbono sequestrado nos EUA está fixado em matéria orgânica que antes não era computada nos inventários florestais, como madeira morta, solo e arbustos. As árvores em si de fato sequestram menos.

“É evidente que nós estivemos procurando no lugar errado”, afirma o geocientista Steven Wofsy, da Universidade Harvard.

Protocolo pelo ralo

O chamado uso do solo para compensar emissões por queima de petróleo e carvão tem sido um dos principais nós na implementação do tratado climático, cuja ratificação deverá ser impulsionada em julho por uma reunião na Alemanha.

Para países como os EUA, que têm vastas áreas de floresta em crescimento, a adoção de sumidouros como compensação é bem confortável: com as florestas limpando a sujeira da indústria, não seria necessário investir para reformar o sistema energético e reduzir as emissões de CO2.

Mas Pacala ressalta que a alegria é provisória: no próximo século, com o amadurecimento das florestas americanas, o ralo irá desaparecer. “Isso significa que o efeito estufa vai piorar, porque as emissões de combustíveis fósseis aumentam ao mesmo tempo.”( Folha On Line)