Inquérito apura crimes na Estrada do Colono

Os líderes da invasão do Parque Nacional do Iguaçu, que desde 1997 mantinham ilegalmente aberta a Estrada do Colono, no Paraná, estão sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Podem ser responsabilizados por crimes ambientais e pela exploração ilegal da via.

Segundo o procurador da república em Foz do Iguaçu, Jessé Ambrósio dos Santos Júnior, a investigação teve início há mais de um ano e era sigilosa até a retomada da estrada, no último dia 13.

Os nomes dos acusados ainda estão sob segredo de Justiça, mas os crimes são de desobediência a ordem judicial; uso de recursos arrecadados ilegalmente no pedágio e travessia de balsa; invasão de unidade de conservação ambiental; destruição de árvores e transporte de mercadorias contrabandeadas e drogas através da estrada.

A exposição de crianças a situações de risco é outro crime, que poderá ser incluído no inquérito, neste caso, com responsabilização dos pais, além dos líderes do movimento. Conforme descreve o procurador, as crianças que estavam num ônibus, dentro do parque, no momento da retomada da estrada pela Polícia Federal foram levadas para lá deliberadamente.
O fato dos filhos dos líderes do movimento não estarem entre tais crianças é uma das evidências.

“Ao contrário do que foi divulgado, graças à habilidade dos comandantes policiais e à decisão de não fazer a travessia com a balsa, é que as crianças não foram expostas a riscos ainda maiores”, diz Santos Jr.

Segundo ele, a situação era muito tensa no porto onde a balsa deveria atracar e o desembarque do ônibus com as crianças seria tumultuado, razão pela qual os policiais federais optaram por dar a volta, percorrendo o caminho mais longo. “Não queremos acirrar os ânimos, nem aumentar a tensão no local, por isso advertimos, que expor crianças a risco é crime e será objeto de denúncia, se ficar caracterizada a intencionalidade”, afirmou.

Após a conclusão do inquérito, os eventuais responsáveis serão citados em ação penal. Se for comprovada a utilização dos recursos arrecadados no pedágio e balsa para fins eleitorais – uma das suspeitas – haverá também uma ação no Tribunal Eleitoral.

Em relação ao transporte de mercadorias ilegais, investiga-se o envolvimento ou não dos líderes da invasão. Já se confirmou que a estrada foi usada para o desvio de mercadorias roubadas e tráfico de drogas, no período em que esteve aberta sem qualquer forma de patrulhamento, apenas sob controle dos invasores.

“Chegaram a ser efetuadas algumas prisões, de pessoas que transportaram mercadorias ilegais por ali”, reitera o procurador. Existe ainda uma investigação paralela, de cunho estadual, que comprovou o trânsito de carros roubados através da Estrada do Colono.

Agentes das Polícias Federal e Florestal continuarão a fiscalizar a região. Novas tentativas de invasão serão repelidas, com prisão dos invasores. “Um apelo que o Ministério Público faz é para as pessoas não tentarem outra invasão e, principalmente, não levarem crianças, porque serão responsabilizadas criminalmente”, disse Santos Jr. (O Estado de São Paulo)