UM DOS PRINCIPAIS RESERVATÓRIOS DE NATAL/RN PRECISA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL

Um dos principais reservatórios de abastecimento da capital do Rio Grande do Norte está ameaçado. A lagoa do Jiqui, que fornece 25% da água distribuída aos bairros da margem direita do rio Potengi, o que corresponde a 10% do abastecimento total da cidade, poderá sofrer problemas em menos de uma década.

O monitoramento da água da lagoa mostra que a vazão do único afluente, o rio Pitimbu, vem diminuindo nos últimos 30 anos e poderá se agravar em decorrência de agressões ambientais. A Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte retira da lagoa do Jiqui 700 litros por segundo, mas esse volume não se constitui um problema. A lagoa suportaria um acréscimo de 300 litros por segundo, caso seja necessário.

A qualidade da água é analisada diariamente, em intervalos de uma hora, pelos técnicos da Caern, que tem um laboratório instalado no escritório ao lado da lagoa. São avaliados o nível de PHD, a alcalinidade e a cor da água. Durante o inverno, o monitoramento acontece a cada 30 minutos. Os maiores problemas para o futuro da lagoa do Jiqui estão ao norte do reservátorio, ao longo do rio Pitimbu.

Um estudo da Câmara Técnica Permanente do Pitimbu – formada por representantes de entidades ligadas ao meio ambiente – indicou que, caso não sejam tomadas medidas urgentes, em 10 anos o rio estará comprometido. A sugestão da câmara é para que o Governo do Estado comece a recuperar a mata ciliar das margens e adote outras medidas contra as ações de degradação ambiental ao longo do percurso do rio.

O diretor técnico da Caern, Marcos Rocha, disse que a companhia começou a realizar algumas ações para evitar problemas com o Pitimbu. “A Caern, junto com a secretaria estadual de Recursos Hídricos, começou a trabalhar para reduzir essa poluição.”

Marcos Rocha citou o convênio assinado com a Fundação Nacional de Meio Ambiente para a recuperação da mata que fica às margens do rio. Sobre a perspectiva de que em 10 anos o Pitimbu poderá estar prejudicado, Marcos Rocha disse que a situação é grave, “mas não é tão alarmante”. Caso a água da lagoa se torne imprópria para o consumo humano, a alternativa da Caern será ampliar a perfuração de poços. “Poderíamos perfurar poços na área do San Vale, onde a água não é contaminada”, destacou o engenheiro de Operações da Caern, Isaías Costa Filho.

O engenheiro Kalazans Bezerra, um dos integrantes da Câmara Técnica, avaliou que “os empreendimentos que estão sendo feitos são muito próximos às margens do rio”. Ele apontou as construções irregulares como um dos principais fatores que ameaçam o Pitimbu. “O rio está ameaçado. E, se ele acabar, em 48 horas também acabará a lagoa do Jiqui.” Existem outros riscos, além da ocupação imobiliária das margens: despejo de resíduos industriais e de esgoto doméstico.

O desmatamento da mata ciliar, entretanto, já está influindo na vazão do rio. O engenheiro de Operações da Caern, Isaías Costa Filho, confirmou que nos últimos 30 anos a vazão diminuiu. Porém, ele enumerou outros fatores como responsáveis. “A construção de pequenas barragens, a captação da água para granjas e o açoreamento pelas erosões contribuíram para redução da vazão.” (Tribuna do Norte)