INDÚSTRIAS BRASILEIRAS PERDEM R$ 500 MI POR NÃO TRATAREM OS RESÍDUOS

As indústrias brasileiras produzem, anualmente, quase três milhões de toneladas de rejeitos, mas apenas cerca de 850 mil toneladas, algo em torno de 28% dos resíduos perigosos e não-perigosos, são tratadas devidamente nos 16 aterros licenciados no País.

O restante tem destino desconhecido e boa parte vai parar em lixões. Além dos prejuízos irreparáveis ao meio ambiente, o mercado de destinação de resíduo industrial perigoso em aterros deixa de movimentar cifras superiores a R$ 500 milhões: gera um faturamento de apenas R$ 173 milhões, quando o potencial de negócios seria de R$ 700 milhões.

Os dados são da Abetre – Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos, que agrega empresas responsáveis pelo tratamento de resíduos industriais, e foram apresentados ontem, durante o seminário “Uma visão ética e empresarial da indústria e sua responsabilidade ambiental”, na Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia). “O volume de negócios ainda é quatro vezes menor que o potencial, mas temos tecnologia de ponta para tratar qualquer tipo de resíduo”, comenta Carlos Fernandes, presidente da entidade.

Ele assegura, entretanto, que as indústrias assumem comprometimento cada vez maior com a busca de uma solução adequada para tratar seus resíduos. Prova disso é que, no ano passado, o tratamento de resíduos industriais perigosos e não-perigosos cresceu 5,6%, com relação ao ano 2000. “As grandes indústrias, principalmente, já dispõem até de departamentos especializados na questão”, diz Fernandes, que considera a legislação ambiental brasileira moderna e rigorosa, faltando, entretanto, informação e conscientização aos industriais.

Passivo ambiental

O passivo ambiental das indústrias que não tratam seus resíduos é, na opinião do presidente da Abetre, 100 vezes maior, em termos econômicos, do que os valores que elas gastariam tratando esses resíduos. Carlos Fernandes também considera ainda muito pobres as estatísticas com relação às quantidades de resíduos gerados e tratados, no Brasil.

“Uma das lutas da Abetre é para que os órgãos ambientais façam estatísticas para mensurar melhor esse problema, traçando um diagnóstico claro”. Para o vice-presidente da Fieb, Irundi Edelwais, “o resíduo industrial mal tratado acaba se constituindo em um crime que jamais prescreve” e compromete a imagem da indústria, vista como vilã da questão ambiental. (A Tarde)