PÚBLICO DE SEMINÁRIO ELABORA DOCUMENTO PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGROECOLOGIA EM MS

A Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e o Idaterra finalizam nos próximos dias um documento com as principais estratégias elaboradas pelos agricultores e demais participantes do evento para ser enviado aos governos municipais, estadual e federal como forma de colaborar na elaboração de políticas públicas para fortalecer o desenvolvimento da agroecologia no Estado de Mato Grosso do Sul.

As diretrizes definidas no documento foram o resultado de discussões realizadas no 1º Seminário de Agroecologia do Mato Grosso do Sul, durante a semana passada, em Campo Grande (MS), onde também participaram representantes de instituições de pesquisa, universidades, assistência técnica, organizações não governamentais, organização de produtores e movimentos sociais, com um público de mais de 700 pessoas.

As propostas abrangem sete pontos básicos para a organização da atividade no Estado: educação, pesquisa participativa, produção, financiamento, comercialização, certificação e políticas públicas. Segundo Milton Padovan, pesquisador do Idaterra e presidente da comissão organizadora do seminário, ao se colocar em prática as propostas do documento, o tema agroecologia será inserido no dia-a-dia das pessoas de forma que elas entenderão a necessidade de se produzir alimentos sem resíduos químicos, o que isso representa para o meio ambiente e para o futuro da própria sociedade, passando a valorizar e a cobrar essa nova postura dos produtores rurais e do próprio Governo.

No que diz respeito aos governos estadual e federal, o documento propõe que o Estado e a União destinem recursos específicos para a pesquisa em agroecologia, criem linhas de financiamentos de crédito específicas para conversão de sistemas convencionais em sistemas agroecológicos e consolidem o que já está implantado.

Também está sendo sugerido que o tema agroecologia seja inserido na grade curricular de diferentes níveis de educação, bem como em material pedagógico e em cursos de capacitação para professores. Uma proposta de valorização do saber acumulado pelos agricultores é a criação de centros de pesquisa em comunidades de agricultura familiar, para que sejam desenvolvidas pesquisas participativas com base em experiências locais e socializadas as informações geradas.

Mário Urchei, pesquisador da Embrapa e membro da comissão organizadora do evento, explica que, de acordo com as propostas, todos os grupos envolvidos na produção de alimentos ecológicos deverão ter apoio na elaboração de projetos para captação de recursos, bem como na criação de um selo para os produtos oriundos de sistemas agroecológicos, de forma a criar uma rede de certificação participativa em Mato Grosso do Sul. “Também pretende-se que o Estado estimule os agricultores a produzir alimentos para inserí-los nos programas sociais dos governos estadual e federal”, afirma.

O pesquisador esclarece que a produção de alimentos de forma ecológica é uma tendência mundial e que pode possibilitar a independência dos agricultores em relação aos produtos agroquímicos, maquinários e sementes, contribuindo para diminuir problemas ambientais como erosão, degradação do solo e contaminação dos mananciais. “Porém, são necessárias políticas públicas para que esse modelo seja desenvolvido no país, como programas de pesquisa e financiamentos”.

Urchei lembra que as pesquisas públicas devem adequar, quando necessário, as tecnologias das populações tradicionais no uso sustentável dos recursos naturais, e não impor modelos pré-estabelecidos.
(Fonte: Embrapa)