EMBRAPA APRESENTA NOVAS PERSPECTIVAS DE UTILIZAÇÃO DA MANDIOCA

A mandioca é a principal fonte de calorias para cerca de 500 milhões de pessoas no mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, onde é cultivada em pequenas áreas com baixo nível. Mais de 80 países cultivam mandioca, e o Brasil é o segundo maior produtor, com cerca de 15% da produção mundial. Todos os estados brasileiros cultivam essa raiz, que se situa entre os nove primeiros produtos agrícolas, em área cultivada, e o sexto, em valor de produção.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, situada em Brasília (DF), desenvolveu duas tecnologias inovadoras para o aproveitamento de raízes de reservas da mandioca encontradas na região amazônica, com importância para a nutrição e saúde humana.

Essas tecnologias diversificam o mercado de derivados da mandioca em uso comercial na atualidade, já que oferecem novas alternativas de uso desse produto, além da tradicional produção de farinha e fécula. Elas foram apresentadas no estande da Embrapa durante a X Feira Botânica do CasaPark, realizada neste final de semana (30 de novembro e 1º de dezembro), em Brasília (DF).

A primeira tecnologia, de aproveitamento de raízes de mandioca como alimentos funcionais, gerou quatro produtos: xarope de glicose enriquecido com carotenóides com propriedades vitamínicas; cápsulas com extrato de organelas celulares contendo licopeno, beta caroteno ou luteina; picles de raiz de reserva de mandioca contendo constituintes com propriedades funcionais na nutrição humana e um produto denominado tucupi em pó, que é derivado de um extrato comercializado na região de Belém (PA) para o preparo de pratos regionais típícos.

A segunda é a tecnologia para o aproveitamento de mandiocas açucaradas. Foram processados três novos produtos extraídos de raízes de reserva de clones de mandioca identificados e isolados na diversidade da Amazônia, que são: concentrado de glicose natural com aplicações nas indústrias: química, de alimentos e de bebidas, já que pode ser usado como adoçante no preparo de bolos, doces e sorvetes; amido seroso com mutações naturais que tem aplicações variadas na indústria têxtil e de alimentos; e um amido (glicogênio vegetal) solúvel em água fria, que não é encontrado nas cultivares comerciais de mandioca, e pode ser amplamente utilizado pelas indústrias farmacêuticas e de cosméticos.

Os produtos são recomendados para indústrias de pequeno porte e não têm impacto ambiental negativo. A previsão da Embrapa é de que esses produtos comecem a chegar ao mercado a partir de 2003. A pesquisa, coordenada por Luiz Joaquim Castelo Branco, já permitiu a identificação de características inovadoras e importantes nas raízes de mandioca, como: licopeno (pigmento vermelho que reduz riscos de certos tipos de câncer, especialmente o de próstata), betacaroteno (precursor da vitamina A na dieta humana, cuja deficiência pode levar à cegueira) e glicogênio (que possui um açúcar de reserva só encontrado em células animais). O grande desafio atual é conhecer as razões genéticas para a maioria dessas características.
(Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)