CATADORES QUEREM RECEBER POR COLETA DE LIXO EM CURITIBA

Os catadores de papel de Curitiba querem ser remunerados pela prefeitura pelo serviço de coleta e reciclagem de lixo, e realizaram uma passeata nesta terça-feira (10) entre a Boca Maldita e o Centro Cívico. As verbas, pela proposta dos carrinheiros, seriam entregues a um fundo ou associação da categoria, e estariam submetidas ao controle externo. A manifestação marcou o Dia Nacional dos Catadores, e foi encerrada com um concurso no qual foram eleitos os seis carrinhos mais enfeitados da cidade.

“Os catadores tiram 360 toneladas de material reciclável das ruas por dia”, afirmou o coordenador do Movimento Pró-Federação dos Carrinheiros de Curitiba e Região Metropolitana, Ivo Ribeiro da Silva. Segundo ele, isso é 70% de tudo o que é reciclado na cidade. Somente 30% seriam coletados pelos caminhões do Lixo que Não é Lixo, da prefeitura.

Os catadores querem ser reconhecidos como agentes com importante função ambiental. Se o material que os carrinheiros coletam não fosse retirado das ruas haveria mais lixo indo para o aterro da Caximba, que está com sua vida útilno fim e só tem capacidade para receber dejetos até março. Até agora ainda não se definiu qual será o local para o novo depósito.

Silva explicou ainda que, assim como a empresa que faz a coleta em Curitiba recebe para fazer a limpeza da cidade, a Cavo, os catadores também deveriam ser compensados pelo seu trabalho. De acordo com o movimento, a prefeitura paga à Cavo R$ 35 por tonelada (o valor não foi confirmado pela prefeitura). Se isso também fosse repassado aos carrinheiros, a associação ou o fundo poderia arrecadar R$ 378 mil por mês. O dinheiro seria usado para melhorar as condições de trabalho e de vida dos carrinheiros. Segundo Silva, em Curitiba vivem da coleta de materiais recicláveis cerca de cinco mil carrinheiros.

A prefeitura de Curitiba informou que a reivindicação dos carrinheiros não pode ser atendida por causa das leis que regem a administração pública. A superintendente de controle ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Marilza Oliveira Dias, explicou que a limpeza urbana é de responsabilidade dos municípios. Para que terceiros façam o serviço, e recebam pelo trabalho, é preciso que haja uma licitação.

Marilza também disse que o modelo de coleta seletiva que a prefeitura pretende implantar na cidade a partir do ano que vem deve melhorar as condições de trabalho da categoria. Pelo edital de licitação, há a previsão de parcerias da empresa vencedora com os trabalhadores informais da reciclagem.

Os carrinheiros por sua vez, temem ser afetados pela mudança. Uma das reivindicações apresentadas pelo Movimento Pró-Federação, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Fórum do Lixo e Cidadania foi uma maior participação no processo. Na pauta de solicitações, que será entregue ao futuro governo do estado, os carrinheiros pedem ainda para ter acesso à elaboração da nova lei nacional de resíduos sólidos, que hoje tramita no Congresso Nacional. (Gazeta do Povo)