EM CURITIBA/PR A LIMPEZA É A GRANDE ARMA CONTRA MOSQUITO DA DENGUE E ARANHA MARROM

Limpar terrenos, evitar o acúmulo de materiais de construção e pneus, eliminar locais e objetos onde haja água parada, limpar móveis, armários e quadros, eliminar teias de aranha com aspirador de pó, vassoura ou pano, lavar com água e sabão os pratinhos de plantas e vasilhames para água de animais domésticos.

Cuidados simples podem proteger os moradores da picada da aranha marrom e toda a população do risco de o mosquito transmissor da dengue, o aedes aegypti, encontrar condições favoráveis para o seu desenvolvimento em Curitiba.

“Com limpeza periódica podemos evitar riscos que podem ameaçar a saúde de todos. Por isso convidamos a população a manter limpas as residências, empresas e terrenos”, alerta a diretora do Centro de Saúde Ambiental, Margarida Lenzi, ao informar que durante os mutirões de limpeza realizados durante o ano para eliminar os focos do mosquito da dengue a população colaborou retirando o lixo. “Só no dia Dia D da dengue, no dia 23 de novembro, foram retiradas 135 toneladas de lixo”, disse.

Além dos mutirões de limpeza, uma equipe de mais de cem profissionais do Centro de Saúde Ambiental realiza diariamente o trabalho de prevenção e informação por toda a cidade e o monitoramento de 2.500 locais estratégicos por onde o “mosquito pode entrar na cidade”. São cemitérios, borracharias, garagens de ônibus, transportadoras e depósitos de material de construção. Os pontos são visitados quinzenalmente e os técnicos fazem o tratamento químico nos locais de acúmulo de água. O monitoramento diário dos locais onde o mosquito pode se desenvolver é feito desde 1998.
Neste ano, (até 18 de dezembro) foram identificados 38 focos do mosquito transmissor da dengue, com registro de 150 casos da doença – 60% deles entre o final de janeiro e início de agosto. O foco mais recente foi localizado nesta semana na CIC, em um pneu – a maioria dos focos do aedes se concentra em pneus, peças de carros como carcaças, garrafas plásticas, latas e até barcos, betoneiras e misturadores de tintas, além de vasos de plantas, tanques e caixas dágua, estes últimos numa proporção menor.
Aranha Marrom – Para garantir o atendimento dos pacientes que sofram alguma picada de aranha marrom, neste ano médicos e enfermeiros das Unidades de Saúde 24 Horas foram treinados para o novo protocolo de atendimento. Agora, as cinco Unidades 24 horas estão preparadas para receber os pacientes que estejam em estado grave e que a picada tenha ocorrido até 36 horas antes do atendimento, período em que torna-se eficaz a soroterapia. O soro anti-loxoscélico bloqueia o veneno da aranha e impede que ele se fixe no corpo da pessoa que foi picada.
Médicos e enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde também estão sendo treinados. Com as regras estabelecidas pelo novo protocolo os pacientes em estado leve ou moderado serão atendidos em qualquer Unidade Básica de Saúde e, além de medicados serão reavaliados diariamente – nos casos leves, por dois dias, e em casos moderados, por cinco dias.
“O primeiro passo para quem foi vítima de uma picada continua sendo o mesmo: a pessoa deve procurar a Unidade de Saúde mais próxima da sua casa o quanto antes. A equipe da Unidade terá todas as condições para avaliar cada caso e, se necessário, encaminhar para os 24 Horas”, orienta a diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Karin Luhm.
Os atendimentos para os casos graves que ocorram 36 horas depois da picada serão feitos pelo Centro de Controle de Envenenamento do Hospital de Clínicas, que resulta de uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba, o Governo do Estado e o HC.
Números – Dados preliminares da Secretaria da Saúde mostram que de janeiro a outubro deste ano foram notificados 2.466 casos de pessoas picadas pela aranha marrom, o equivalente a 9,11% a mais do que em 2001. No mesmo período do ano passado foram notificados 2.260 casos.
Na avaliação de Karin Luhm, o calor excessivo e menos frio como ocorreu em 2001 e continua ocorrendo neste ano, favorecem o aumento da população de aranhas. “E isso reflete diretamente no número de acidentes com aranhas marrons”, explica.
Segundo ela, a limpeza das casas e imóveis é a principal ferramenta que a população tem para evitar acidentes com a aranha. “Casas bem limpas e cuidado ao vestir roupas guardadas há tempo, ou deixadas no chão durante a noite, são a melhor maneira de evitar acidentes com aranha marrom, cujo veneno pode causar sérias lesões”, esclarece.
O verão é a estação preferida da aranha marrom. A limpeza freqüente dos ambientes – incluindo quadros, estantes com livros e móveis que ficam encostados na parede – afasta o inseto. Entulhos como madeira, papelão e telhas também são refúgios. Os cantos devem ser aspirados para retirada de ovos e filhotes.

A picada é, muitas vezes, confundida com a de mosquito. Mas a pessoa deve estar atenta aos primeiros sintomas – vermelhidão e coceira local – que aparecem entre 6 e 12 horas. Nos casos mais graves podem surgir vômitos e febre. (Agência Curitiba)