CAPITÃO DO ‘PRESTIGE’ PEDIU QUE NAVIO FOSSE ANCORADO PERTO DA COSTA

O grego Apostolos Mangouras, capitão do petroleiro Prestige, disse que propôs que o navio fosse ancorado perto da costa para facilitar a retirada do fuelóleo que carregava. Segundo a agência Lusa, a informação consta da edição de hoje do jornal “La Voz de Galicia”, que teve acesso ao processo.

O navio afundou em novembro no Oceano Atlântico, perto da província da Galícia, no norte da Espanha. Por causa dos ventos e do mar agitado, o combustível atingiu as praias galegas, causando um grande impacto ambiental e perdas econômicas para a região, que é uma grande produtora de frutos do mar.

“As autoridades espanholas mandaram o navio para o mar aberto e aí a fenda abriu-se muito mais. Foi um erro afastar o navio, era preciso conduzi-lo para um local calmo e, aí, retirar a carga (fuelóleo)”, afirmou Mangouras ao ser interrogado pelo juiz de instrução de Corcubion (Galícia), Javier Collazo e a procuradora Beatriz Pacios.

O capitão explicou que propôs às autoridades espanholas impedir que o navio fosse à deriva, ancorando o Prestige a “3,5 ou 4 milhas da costa” com o auxílio de duas âncoras de 325 metros de comprimento, adianta o jornal.

Ele propôs também, por duas vezes, aos rebocadores que o socorriam, que tentassem manter o navio fixo a algumas milhas da costa enquanto esperavam que o mar acalmasse. A cada proposta recebeu uma negativa, segundo o capitão que afirma não saber qual o motivo das recusas.

Associações ecológicas, a oposição socialista na Espanha e numerosos habitantes da Galiza questionam desde o início da crise a decisão do governo de afastar o navio, considerando que esta escolha agravou a catástrofe.

O governo espanhol defende-se afirmando que agiu de acordo com os conselhos de peritos e para evitar uma “catástrofe econômica” na região.

Mangouras reconheceu, durante o interrogatório, que teve momentos de pânico, admitindo não saber se o seu navio respondeu a todos os apelos da Torre de Controlo de Corunha.(Agência Brasil)