FÓRUM DA CEDAE/RJ REÚNE 60 LABORATÓRIOS DE ÁGUA E ESGOTO

Representantes de laboratórios de todo o Brasil estiveram reunidos na quinta-feira (16/1), no auditório da Seaerj, no Rio, durante o Fórum Técnico para Incremento da Confiabilidade Metrológica nos Laboratórios de Água, Esgoto e Afins, promovido pela Cedae – Companhia Estadual de Águas e Esgotos. O encontro foi a conclusão da primeira fase do PEP – Programa de Ensaios de Proficiência, desenvolvido pelo químico Reginaldo Ramos e que contou com a participação de sessenta laboratórios de água e esgoto nacionais entre outubro e dezembro do ano passado.

A abertura do evento ficou a cargo do superintendente de Esgotos, Carlos Henrique Coelho Braz, responsável pelo projeto ao lado de Reginaldo, e dos diretores José Carlos Tavares e Evandro Britto. “O setor de saneamento nunca se preocupou muito com a precisão de resultados. Problemas ligados à saúde e a uma crescente preocupação ambiental fizeram com que as empresas passassem a enxergar os laboratórios como ferramentas fundamentais no desenvolvimento do setor”, explicou o diretor de Atividades Especiais, Evandro Britto.

O PEP foi criado com o objetivo de qualificar os laboratórios da Cedae visando o credenciamento junto à Feema – Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente, como estipula a nova legislação ambiental, em vigor desde 1 de janeiro. Acabou atraindo a adesão de outros laboratórios no país, entre os quais os da Sabesp, Seama-ES, Biomanguinhos, Centro de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, etc.

O programa funciona da seguinte maneira: o laboratório provedor, no caso a ETE – Estação de Tratamento de Esgoto Alegria, produz os itens de ensaio, distribui aos laboratórios e recebe os resultados. Depois, os dados são avaliados estatisticamente no Laboratório de Quimiometria da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e devolvidos para cada um dos participantes de forma estritamente sigilosa.

Programas de proficiência são feitos para atestar a qualidade dos laboratórios e, conseqüentemente, aprimorar os serviços prestados. No entanto, são poucas as empresas que oferecem este tipo de programa no Brasil. A maioria acaba utilizando provedores estrangeiros que, dependendo do número de parâmetros a serem comparados, cobram de US$ 400 a US$ 2.800. Por seu pioneirismo, a Feema passou a indicar o programa da Cedae para os laboratórios em fase de credenciamento, enquanto o Inmetro destinou um espaço em seu site para sua divulgação.

Os ganhos gerados pelo PEP são inúmeros. Na Estação de Tratamento de Esgoto da Penha, por exemplo, já foi desenvolvido um projeto de reuso da água, que será colocado em ação até o final do mês. Com a precisão dos resultados químicos obtida, será possível reutilizar a água do esgoto para a limpeza da centrífuga e preparo dos polímeros (produto utilizado para retirar a umidade do lodo), o que irá acarretar em uma economia de 27 metros cúbicos de água por dia.

“Isso significa água para mais 27 famílias. Pode parecer pouco, mas não é. A água potável está ficando cada vez mais escassa. Evitar o desperdício e criar alternativas para a sua economia são atitudes que contribuem muito com o meio ambiente”, afirmou o superintendente Carlos Henrique Coelho Braz.

Braz ressaltou ainda o ganho econômico da reutilização da água. A Refinaria de Manguinhos, por exemplo, já está em negociação com a Cedae para comprar a água da ETE Alegria, que sairá por 20 centavos o metro cúbico, um terço do preço da água potável retirada do Guandu.

O Fórum se estendeu até as 17h, com cursos técnicos ministrados pelos professores da UFRJ. De acordo com Reginaldo, a próxima fase do PEP irá contar com a particpação de empresas de outros países da América Latina, que também estarão no segundo fórum técnico, ainda com data a ser marcada.
(Informações da Ascom do Governo do Rio de Janeiro)