VAZAMENTO DE ESGOTO ATINGE ARRAIAL D’AJUDA/BA

Há cerca de 15 dias, a rede de coleta da Embasa começou a extravasar, com riscos de lançar no leito dos afluentes do Rio Mucugê água de esgoto sanitário e atingir as praias de Arraial d’Ajuda, distrito de Porto Seguro, litoral baiano, para onde vão milhares de turistas no período do verão.

“Se ocorrer uma chuva mais forte, com certeza o rio vai trazer tudo para as praias e será o fim do turismo, pois duvido que algum turista vá querer tomar banho na praia poluída”, diz Rita Costa, coordenadora de uma pousada.

Esta é a terceira vez, em menos de um ano, que ocorre o vazamento do esgoto e o receio de que ocorra a contaminação das praias levou Rita e outros moradores do Arraial d’Ajuda a denunciarem o caso ao Ibama. Fiscais do Parque Nacional do Pau Brasil/Ibama visitaram o local e puderam observar a gravidade da situação.

“A contaminação dos afluentes e do Rio Mucugê, devido ao lançamento de esgoto proveniente do vazamento da tubulação da Embasa, localizado nas margens do afluente, já causou a mortandade de peixes, degradação da flora e comprometimento significativo da saúde dos moradores ribeirinhos, além do perigo de contaminação que os banhistas correm”, afirmou o analista ambiental do Ibama, Geraldo Machado Pereira.

A dona-de-casa Eliete de Jesus Souza, 32 anos, que vinha utilizando um córrego que passa no fundo do quintal da sua casa, é uma das prejudicadas. Com a água do córrego, o marido fez duas represas para criação de peixes para o sustento da família. “Na Semana Santa, não precisávamos nem comprar peixe, pois aqui tinha bastante”, observa. A água também era usada para lavar roupas, vasilhas e até para o consumo. Depois que começou o vazamento do esgoto ela ficou preta, com espuma amarela e fezes. Os peixes foram morrendo, até que não restou mais um. “O pior é o mau cheiro, que não permite ninguém ficar dentro de casa”, reclama. Eliete disse que o marido, José do Prado, teve caroços por todo o corpo depois que um pouco de água da represa caiu no seu braço.

Segundo Geraldo Machado Pereira, uma das explicações para o problema é o fato de a rede de coleta de esgoto ser insuficiente para coletar o esgoto da área urbana somada à carga de água da chuva que acaba sendo drenada para a rede, quando deveriam ser coletas independentes.

Isso fica muito visível no bairro Novo do Arraial d’Ajuda. Milhares de famílias vivem em situação precária na beira do afluente do Mucugê. No ano passado, a Prefeitura foi autuada pelo Ibama em R$ 200 mil, pelo descaso com o lixo do Arraial. Um depósito de lixo dos moradores é quase dentro d’água, onde, diariamente, as crianças costumam nadar sem saber que estão correndo risco de contrair salmonelas, cólera e outras doenças. Comprovada a situação, o Ibama notificou a Embasa para apresentar a planta da rede de esgoto do Arraial d’Ajuda e seu funcionamento, quando representantes da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura afirmaram que autuariam a empresa.

Segundo o gerente regional da Embasa, Paulo Eduardo Pinheiro, que acompanhou os fiscais do Ibama durante a última vistoria, a rede de esgoto não é insuficiente e a causa do vazamento – que só ocorre quando chove – está no entupimento das tubulações, devido à quantidade de lixo que a própria comunidade joga nos PVS (posto de visitação), bueiros. A solução, diz Paulo, é a educação ambiental, com palestras nas escolas e também a macrodrenagem de água de chuva e piscina para não carrearem para dentro do sistema de esgotamento sanitário. ( A Tarde On Line)