TÉCNICOS DO INSTITUTO ECOPLAN AVALIAM CONSEQÜÊNCIAS DO ACIDENTE DO NAVIO PRESTIGE

Uma das maiores catástrofes ambientais ocorridas em áreas marinhas foi o causado pelo navio Prestige, que carregava 77 mil toneladas de óleo e partiu-se ao meio no dia 19 de novembro a cerca de 200 quilômetros da costa da Galícia
na Espanha.

Afim de acompanhar de perto o cenário do vazamento, o presidente do Instituto Ecoplan e engenheiro florestal, Marco Aurélio Ziliotto e o consultor especialista para acidentes envolvendo petróleo, Mário Moro viajaram para Espanha com o intuito de avaliar o grau do problema, somar experiências e comparar o desatre com outros ocorridos no Brasil, como os acidentes no Rio Barigui*, na plataforma P36**, no Navio Norma*** e outros tantos nesta área.

A expedição dos técnicos pelas praias galegas, principalmente na região de Muxia, Bayona, Vigo entre outras até a divisa com Portugal no Minho, mostrou um panorama muito triste. Para Marco Aurélio o acidente causou um ambiente “muito funesto”. “É difícil de se precisar quem, ou o quê, foi mais atingido, mas certamente os pesqueiros e marisqueiros galegos foram tão atingidos quanto a própria fauna marinha daquela parte. E o restabelecimento da normalidade de uns está intimamente ligado ao de outro.” desabafa.

Ziliotto conta que apesar das comunidades de marisqueiros se articularem para as ações de limpeza das praias e algumas repartições galegas cederem suas sedes, para tentar organizar os primeiros voluntários. A limpeza das praias era praticamente impossível. “A sociedade se organizou como pode, recursos vieram. Mas havia muito óleo nas praias. Tarefa insana. Limpava-se durante o dia, à noite, a maré trazia tudo de novo… mas assim mesmo de forma desmedida a população colaborou.”

No final de semana de 15/16 de dezembro, pouco menos de um mês do início do acidente, ainda havia gente de todas as idades batalhando para minimizar os efeitos do acidente. Os peritos do Instituto Ecoplan, participaram dos trabalhos junto com os voluntários, contataram autoridades portuárias, ambientalistas espanhóis e portugueses, participaram de reuniões das confrarias de marisqueiros e pessoas da mídia e contaram que a organização deixou a desejar. mas como não havia quem houvesse assumido o acidente, as custas, financeiras e ambientais, acabaram ficando para todos.

A conclusão dos dois brasileiros foi que mesmo se tratando de um acidente no coração do primeiro mundo, o despreparo, a falta de políticas adequadas e a consciência ambiental anda tão negligenciada na Europa quanto nos países menos desenvolvidos. Para eles, a ausência de um endereço para direcionar a responsabilidade foi fatal. “A realidade mostrou a falta de integração das diferentes políticas, mesmo dentro da união européia”.

“Com certeza é necessário mais um acidente de proporções inigualáveis fustigue a sociedade para que novas atitudes de prevenção para que a poluição marítima seja minimizada ou evitada”, protesta Marco Aurélio que afirma ser necessário planejamento e implementação de diretrizes na área portuária, como “a rápida criação de áreas de refúgio para embarcações com avarias e danos mecânicos em todos os portos da união européia quiçá do mundo”.(ambientebrasil com informações Ecoplan)

* 16 de julho de 2000 – Quatro milhões de litros de óleo foram despejados nos rios Barigüi e Iguaçu, no Paraná, por causa de uma ruptura da junta de expansão de uma tubulação da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar – Petrobrás). O acidente levou duas horas para ser detectado, tornando-se o maior desastre ambiental provocado pela Petrobras em 25 anos.

**Março de 2001 – Explosões na plataforma P-36, na Bacia de Campos – Rio de Janeiro, causa a morte de onze operários (Petrobrás).

***18 de outubro de 2001 – O navio petroleiro Norma que carregava nafta, da frota da Transpetro – subsidiário da Petrobras, chocou-se em uma pedra na baía de Paranaguá, litoral paranaense, vazando 392 mil litros do produto atingindo uma área de 3 mil metros quadrados. O acidente culminou na morte de um mergulhador, Nereu Gouveia, de 57 anos, que efetuou um mergulho para avaliar as condições do casco perfurado.