CHUVA CAUSA DESLIZAMENTO E FECHA RODOVIAS NO PARANÁ

No litoral, o isolamento tornou evidentes falhas no sistema de informação para situações de emergência. Embora a queda de barreiras que provocou o fechamento da BR-277 tenha ocorrido às 4 horas, muitos motoristas pela manhã dirigiram-se para a rodovia. Não houve quem lhes avisasse que o tráfego estava interrompido. Filas de 4 quilômetros se formaram perto do local da interrupção.

A chuva intensa que caiu no litoral do Paraná na madrugada de domingo para segunda-feira provocou deslizamentos de terra e alagamento das pistas das rodovias por todo o Paraná. A situação foi crítica no litoral, onde a BR-277 e a PR-408 foram interditadas por várias horas, provocando problemas para quem queria deixar as cidades de Morretes e Antonina. Também foram prejudicadas estradas importantes, embora não pavimentadas, como as BRs 487 (Estrada Boiadeira, no Noroeste do estado) e 476 (Estrada da Ribeira). A ligação entre o Paraná e São Paulo pela BR-116 também sofreu com o desvio do tráfego, provocado por buracos e pelo afundamento da pista. Uma viagem que dura, em média, 5 horas, era feita ontem em 12 horas.

Pelo menos 700 pessoas deixaram de viajar nos trechos Curitiba-Morretes e Antonina-Paranaguá. As linhas de ônibus que levam passageiros para Adrianópolis, Tunas do Paraná e Cerro Azul, na região metropolitana de Curitiba, também foram canceladas. De acordo com José Barbosa dos Santos, da Empresa Curitiba Cerro Azul, dois carros que tentaram seguir o trajeto pela Estrada da Ribeira ficaram presos nos municípios de Adrianópolis e Cerro Azul. “A rodovia está alagada. Só vamos retomar as linhas se o tempo melhorar hoje (27) “, avisa.

Falhas

No litoral, o isolamento tornou evidentes falhas no sistema de informação para situações de emergência. Embora a queda de barreiras que provocou o fechamento da BR-277 tenha ocorrido às 4 horas, muitos motoristas pela manhã dirigiram-se para a rodovia. Não houve quem lhes avisasse que o tráfego estava interrompido.

Filas de 4 quilômetros se formaram perto do local da interrupção. Somente às 9h30 a Ecovia, empresa que administra a rodovia, organizou um sistema de rodízio em que, momentaneamente, os carros que subiam a serra podiam passar pela pista de descida, que estava parcialmente liberada. A pista de subida só foi reaberta, parcialmente, às 16h45.

A pista da PR-408, em Morretes, no acesso para a Estrada da Graciosa, que seria um caminho alternativo, também havia sido inundada pelo transbordamento do Rio do Pinto. Quem procurou sair do litoral pela BR-376, passando por Guaratuba, encontrou congestionamentos de até 8 quilômetros para a travessia do ferry-boat. Segundo Jociel Machado, gerente da F. Andreis, a empresa que faz a travessia, não havia expectativa de que o fluxo pudesse aumentar tanto por causa da queda da barreira. Quatro embarcações funcionaram o tempo todo, até regularizar a situação, por volta das 12h. O alagamento em algumas ruas de Matinhos também contribuiu para aumentar o congestionamento.

Uma queda de barreira na estrada que liga o ferry ao centro de Guaratuba também deixou momentaneamente a pista interditada. Na outra rua que dá acesso à área urbana do município pelo terminal de desembarque, havia uma inundação que dificultava a passagem dos carros.

Vôo perdido

“É um absurdo o que acontece aqui no litoral”, disse indignado o economista Carlos Menezes, que ontem perdeu um vôo de Curitiba a Porto Alegre porque não conseguiu chegar à capital a tempo. Ele contou que saiu por volta das 6h da manhã de seu apartamento, em Caiobá, passou por dois postos da polícia rodoviária sem que ninguém o avisasse e só foi descobrir que a barreira tinha caído quando chegou na Serra do Mar. Decidiu então ir a Curitiba pela BR-376, mas desistiu quando viu que a fila do ferry-boat não ia andar a tempo. “A gente paga imposto, IPTU e quando chega no litoral fica ilhado”, reclamou ele.

A Ecovia informou que notificou as polícias rodoviárias Estadual e Federal cerca de 20 minutos após o deslizamento de terra que interditou a pista de subida da BR-277. O cabo Ivonir Martins, do posto da Polícia Rodoviária Estadual na Rodovia Alexandra-Matinhos, porém, afirmou que a unidade só foi avisada por volta das 7h30, cerca de três horas depois. Somente a partir daí foi possível avisar os motoristas. A Alexandra-Matinhos liga Caiobá à BR-277.

Segundo a Ecovia, logo após o fechamento da pista, um caminhão da empresa teria ficado na estrada para informar os motoristas sobre a interdição. No posto da Polícia Rodoviária Federal de Alexandra, na BR-277, pouco antes da subida da serra, funcionários da Ecovia também paravam os carros durante a manhã para informar os motoristas.

Mas quem passou bem no início da manhã pela BR-277, como o economista Carlos Menezes, afirmou que não encontrou ninguém para dar esclarecimentos. “Acho que os sistemas de comunicação entre a Ecovia e a Polícia Rodoviária podem ser melhorados”, disse o chefe da Divisão de Defesa Civil do governo do estado, capitão Everon Puchetti.(Gazeta do Povo)