EMPRESA DO SETOR SUCROALCOLEIRO DE SP RECEBE AUTORIZAÇÃO PARA COMÉRCIO DE CRÉDITOS DE CARBONO

A Açucareira Corona, localizada em Guariba, interior de São Paulo, acaba de receber da empresa de auditoria alemã TÜV, a pré-validação de seu Projeto de Co-geração com Bagaço de Cana-de-Açúcar, dentro dos moldes de MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Com esta pré-avaliação a Açucareira Corona está apta a buscar compradores no mercado para os créditos de carbono que ela venha a emitir.

A entrega do certificado da Açucareira Corona acontecerá na próxima sexta-feira, dia 21 de fevereiro, às 9 horas, na sede da Única – União da Indústria Canavieira do Estado de São Paulo (av.Brigadeiro Faria Lima, 2.179, 11 andar, São Paulo).

O termo Crédito de Carbono surgiu no mercado para possibilitar que os países industrializados atinjam suas metas de redução de emissão de gases de efeito estufa por meio de investimentos em projetos de energia limpa nos países em desenvolvimento. O Projeto de Crédito de Carbono para a Açucareira Corona, desenvolvido pela Econergy Brasil, visou a implementação da produção de energia renovável como alternativa ao uso da energia térmica, como está previsto no Plano Decenal de Expansão do Governo Federal.

Por este plano, a Corona foi capaz de atingir uma capacidade adicional de geração excedente de energia elétrica de aproximadamente 1MW (energia suficiente para atender 10 mil habitantes) e vendê-la para a rede através do MAE – Mercado Atacadista de Energia.

Segundo avaliação da Econergy Brasil, a quantidade de Créditos de Carbono que será obtida nos sete primeiros anos do projeto, ou seja, o primeiro período de acreditação, gira em torno de 19 mil toneladas de CO2. “O Crédito de Carbono é hoje cotado a US$ 5,00 por tonelada de CO2 no mercado internacional, o que pode representar um retorno adicional ao investimento do projeto de cerca de US$ 55 mil, ou aproximadamente 12% do investimento, que foi da ordem de R$ 1,5 milhão”, estima o diretor da Econergy Brasil, Marcelo Schunn Diniz Junqueira.

Após novas melhorias em seu processo de energia térmica em 2001, a capacidade de exportação de energia elétrica da empresa ampliou-se para 1,7MW. Ao colocar energia limpa no sistema elétrico nacional, a Açucareira Corona contribui para o atraso do acionamento das usinas termelétricas abastecidas com combustível fóssil, evitando a emissão de gás carbônico pela queima desse combustível.

De acordo com Marcelo Junqueira, a partir do momento que há energia renovável suprindo a rede, igual quantidade de energia, originada, possivelmente, de uma termelétrica é evitada. “Desta forma, pode-se “atrasar” a construção de uma nova usina termelétrica, caso o volume de aumento de demanda seja coberto por projetos de energia limpa semelhantes ao da Corona”, diz.

A energia disponibilizada pela Açucareira, produzida a partir da queima do bagaço da cana é considerada limpa, pois não tem emissões líquidas de gás carbônico, que é um gás de efeito estufa. Ao contrário da energia produzida a partir de termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis (gás natural, diesel, carvão, etc) cuja produção emite gás carbônico na atmosfera.

A diferença entre as emissões líquidas associadas a cada “tipo” de energia é justamente a quantidade de crédito de carbono devida. No caso, a energia produzida a partir da co-geração do bagaço da cana-de-açúcar tem, por definição, zero emissões líquidas.
(Ateliê da Notícia)