OZÔNIO PODE ALTERAR DNA E PROVOCAR CÂNCER

O gás ozônio (O3) é capaz de provocar lesões nas células humanas levando a alterações que podem ser responsáveis pelo aparecimento de tumores, de acordo com estudo feito pelos pesquisadores do ICB – Instituto de Ciências Biomédicas da USP – Universidade de São Paulo e do Instituto Butantan. O O3 é formado a partir dos gases liberados pela fumaça produzida pelas indústrias, automóveis, ônibus e caminhões.

“A propriedade mutagênica do ozônio já era conhecida pela comunidade científica, entretanto não existiam dados sobre o tipo de mutação provocada pelo gás. Nosso trabalho mostrou que o O3 age nas bases nitrogenadas do DNA, adenina, guanina, citosina e timina, causando lesões que alteram a seqüência dessas bases na molécula. Quando essa célula contendo lesões é replicada, a próxima geração pode ser mutante, ou seja, pode se transformar em células tumorais”, explica o coordenador do trabalho Carlos Menck, professor do ICB.

Pesquisadores afirmam que o ozônio pode provocar mutações num gene chamado P53, que tem como função controlar o crescimento celular. Se for alterado, pode levar ao desenvolvimento de células cancerígenas. “Um estudo recente mostrou que indivíduos não-fumantes com câncer de pulmão tinham mutações no P53 similares ao padrão encontrado na pesquisa. Isso significa que um dos candidatos a provocar esse câncer seria o O3 .”

Mutagênico e cumulativo

Situado na estratosfera, entre 15 e 50 km da terra, o O3 tem papel importante como filtro da radiação solar. Mas sendo respirado na atmosfera, principalmente nas cidades poluídas, é um inimigo invisível com vários efeitos nocivos à saúde humana. “O ozônio é um problema de saúde pública que precisa ser resolvido”, alerta Soraia Jorge, do Instituto Butantan.

A pesquisadora lembra que a incidência do gás é maior em cidades como São Paulo, onde a fumaça produzida pelas indústrias, automóveis, ônibus e caminhões polui o ar com uma grande quantidade de gases oxigenados. Esses gases servem de base para o O3, que se forma naturalmente na atmosfera na presença da luz solar. No inverno, o fenômeno da inversão térmica cria uma “barreira” de ar frio que impede a dispersão dos poluentes na atmosfera, aumentando sua concentração.

Para realizar o estudo, pesquisadores colocaram amostras de solução de DNA em uma câmara e “borbulharam” com ozônio. O DNA exposto ao gás foi introduz ido em células humanas e replicado, a fim de se estabelecer o padrão de mutação causado.

“Esses padrões podem se repetir nas células do nosso organismo, mas não quer dizer que, ao respirarmos o ozônio na atmosfera, o nosso DNA esteja sendo lesionado. Existe todo um caminho que ele precisa percorrer para chegar ao interior de nossas células e atingir o DNA. Mesmo assim, as pessoas estão expostas diariamente ao O3 e seu potencial mutagênico é cumulativo, ou seja, os efeitos vão aumentando proporcionalmente à quantidade absorvida pelo organismo”, diz o pesquisador.
(Fontes: Agência Imprensa Oficial e da Assessoria de Imprensa da USP)