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21 / 04 / 2003RECICLAGEM RENDE ACIMA DO MÍNIMO
A reciclagem de lixo em Cuiabá está gerando uma renda mensal de cerca de R$ 260, aos 110 cooperados que integram a Cooperativa de Trabalhadores de Materiais Recicláveis [Coopemar]. Em 2002, o trabalho rendeu R$ 600 mil, uma média – que vem sendo mantida – de R$ 50 mil por mês. Um crescimento de 35,5% com relação a 2001, que contabilizou um faturamento de R$ 442 mil.
“Além do salário, que segue uma tendência de estar cerca de 20% acima do salário mínimo, todos os cooperados têm transporte e alimentação garantidos”, aponta o presidente da Coopemar, Wanderley Cavenaghe.
Por mês, são recebidas pela usina, cerca de 2 mil toneladas de lixo. Em março, este número alcançou a marca de 2,6 mil toneladas. “A quantidade de lixo varia muito, pois depende da nossa capacidade de processamento e que muitas vezes esbarra na disponibilidade do maquinário.
Quando a usina iniciou suas atividades, 100% do lixo recolhido em Cuiabá ia para a triagem. Mas de lá para cá a cidade cresceu e nossa capacidade de reciclagem não acompanhou no mesmo ritmo”, observa Cavenaghe.
É difícil imaginar que garrafas plásticas, vidros, sacos plásticos, alumínio, papelão e mesmos restos orgânicos possam gerar um volume de recursos como os apresentados pela Cooperar. “Como estamos em um regime de cooperativismo, todos sabem da importância em produzir sempre mais. Esse é o diferencial da cooperativa”, destaca Cavenaghe.
O plástico é o produto mais rentável para a cooperativa. Depois de selecionados e separados, são transformados em granulados que viram matéria-prima para a fabricação de mangueiras. O produto reciclavél abastece basicamente fábricas em Cuiabá e Várzea Grande. Cada quilo do granulado é vendido a cerca de R$0,90.
Este material é um dos que mais sofreu alta no valor de comercialização. No ano passado, o valor pago, em média era de R$ 0,60.
As garrafas plásticas e descartáveis de refrigerantes – chamadas de “PET” – são compactadas e transportadas em fardos. O material, que levaria cerca de 400 anos para se decompor, é transformado em tecido e fio de poliéster [usado para fabricação de cordas de nylon]. O destino de quase toda a produção é Itajaí, Santa Catarina. Cada quilo das garrafas “PET” é comercializado a R$0,37.
O vidro de garrafas é triturado e se transforma em outros vidros. Basicamente o produto é vendido para fábricas localizadas em São Paulo, por cerca de R$ 0,04 o quilo. De 2002 até agora o preço do quilo se manteve inalterado.
As latinhas de alumínio e as sucatas são transformadas em chapas de ferro. As latinhas com preços melhores estão sendo comprada da usina a R$ 2,20 o quilo em 2002 o valor era de R$ 1,70 – abastecem a capital. Já as sucatas que são vendidas a R$ 0,04 o quilo são compradas por industrias de Curitiba (PR).
O material orgânico – basicamente composto por restos de alimentos e folhas – também selecionado pelos cooperados é mantido em container por 18 dias e depois fica mais 30 dias espalhado em uma área do aterro sanitário e então peneirado e vendido. Do total produzido, 20% é da prefeitura, outros 20% tem com destino a organização não governamental ICV.
Desde 1996, quando foi criada a Usina de Triagem e Compostagem de Cuiabá, até o ano passado o crescimento nas vendas registrou a marca de 102%. No primeiro ano de funcionamento a cooperativa comercializou cerca de R$ 192 mil.(CLIPPING ICV – Diário de Cuiabá )