CIESP QUER RETIRAR LIXO QUÍMICO DO ESTUÁRIO CUBATÃO-SANTOS/SP

As indústrias de Cubatão vão investir até R$ 60 milhões para solucionar os problemas causados pela deposição de resíduos químicos tóxicos, ao longo das últimas quatro décadas, no fundo do estuário de Cubatão-Santos.

Além de provocar danos ambientais, o acúmulo desse material está prejudicando a navegação, porque o canal não é dragado desde 1997.

Se não houver autorização para enterrar esses resíduos em valas de até três metros de profundidade no leito do próprio canal, conforme a proposta, empresas como a Cosipa e a Ultrafertil sofrerão prejuízos elevados por falta de acesso por via marítima, já a partir do final do próximo ano.

Atualmente, navios de calado profundo estão raspando o fundo do canal, espalhando os resíduos, agravando o quadro de poluição ambiental e correndo o risco de encalhar.

O projeto de confinamento desse material químico (liberado pelas indústrias ou arrastado desde a Represa Billings pela vazão do Rio Cubatão, que se misturou à lama) foi apresentado na noite de segunda-feira, durante a primeira audiência pública promovida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, no Bloco Cultural de Cubatão.

Poluição

A reação das prefeituras dessas cidades, em especial a de Praia Grande (temendo a ruptura dos sacos e o transporte do material até as praias pelas correntes marítimas) obrigaram à mudança do projeto.

Conforme estudo divulgado pela Cetesb em 2001, entre os resíduos depositados no fundo do Estuário há metais pesados, dioxinas e bifenilas policloradas.
Esse material é altamente tóxico, segundo representantes de entidades participantes da audiência (entre eles Condesmar Fernandes e dirigentes da Associação de Combate aos Poluentes Orgânicos Persistentes – ACPO). Condesmar discordou da proposta de confinamento (que tem o respaldo técnico do professor Luiz Tomazzi, da USP; e do engenheiro Sérgio Pompéia, ex-gerente regional da Cetesb). Conforme o ambientalista, os resíduos deveriam ser removidos, confinados em terra e ressecados.

A remoção, no entanto, provocaria movimentos indesejáveis dos resíduos no fundo do canal, havendo riscos de elevar o grau de contaminação dos peixes e demais organismos marinhos, conforme os consultores. Carlos Bocuhy, que também é presidente do Instituto Nacional de Proteção ao Meio Ambiente, assinala que o projeto de dragagem proposto pelo Ciesp vai afetar a icofauna.(Coalizão Rios Vivos/ Tribuna Digital)

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