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06 / 02 / 2004CIENTISTA QUER COMPROVAR EXTINÇÃO DE MACACO VERMELHO
A última vez que alguém viu um macaco vermelho, típico comedor de folhas, do gênero Procolobus foi em 1978. Como nenhum outro espécime foi observado até o ano 2000, o primatologista Scott McGraw, professor da Universidade do Estado de Ohio, e um dos principais especialistas no animal no mundo, escreveu um artigo que não deixava dúvidas.
O macaco vermelho, que vivia nas florestas de Gana e da Costa do Marfim, deveria receber o rótulo de extinto.
Há cerca de um ano, o surgimento de uma foto fez mudar a certeza de McGraw. Apesar de ser uma única imagem, o pesquisador – e outros primatologistas consultados – não teve dúvidas. Aquela foto, recente, mostrava um macaco vermelho africano. Nunca uma imagem do animal havia sido feita. Um detalhe importante: o macaco estava morto.
Outro indício positivo, na opinião de McGraw, havia surgido anteriormente, em 2001, quando o pesquisador recebeu, em uma de suas visitas à Costa do Marfim, uma cauda de um macaco vermelho. Testes de DNA confirmaram a identificação prévia. Apesar de a caça ser ilegal, há ainda muitos caçadores no país e o cientista de Ohio mantém contatos com alguns.
Se macacos vermelhos ainda existirem, acredita McGraw, devem viver no extremo sudeste da Costa do Marfim. E é exatamente para lá que o cientista está preparando uma viagem com colaboradores, voltando à rotina que viveu durante um bom tempo, na década de 1990. Ou seja, entrar no que ainda resta da floresta na Costa do Marfim – 85% das formações originais foram destruídas -, para procurar macacos raros.
O detalhamento das evidências encontradas pelo norte-americano e a continuidade da pesquisa serão publicadas em breve pelo International Journal of Primatology.
Mesmo que seja apenas uma falsa esperança, o cientista anunciou que pretende criar um programa de conservação para ser aplicado na África. Segundo ele, é importante que a população seja informada sobre a importância de se preservar o meio ambiente local.
“Essa extinção, se confirmada, é apenas parte da onda de outras extinções que deverão ocorrer naquela parte da África”, disse McGraw em comunicado oficial da Universidade do Estado de Ohio.(Agência FAPESP)